domingo, 20 de agosto de 2017

Tumulto: indicado aos fãs de Municipal Waste, RDP & Cia

Resenha: Renato Sanson


Surgidos no começo dos anos noventa, os paranaenses do Tumulto já faziam muito barulho na cena underground local com seu Punk/Hardcore raivoso e sem papas na língua, que acabou rendendo na mesma época um lançamento junto a banda Morthal, que colocavam a rodar nos sebos do underground a fora “Conflitos Sociais”.

Pois bem, passados aí mais de vinte e cinco anos, o Tumulto retorna a ativa e traz a regravação de “Conflitos Sociais” (2016), que ganhou um novo ar, pois se antes a banda investia em um som Punk/Hardcore mais cru, com o passar do tempo sua sonoridade foi moldando e se transformando em um Thrash/Crossover de respeito.

A nova roupagem nas composições fez toda a diferença, ainda mais contando com a produção de Emerson Pereira (Embrio) que soube deixar o som limpo, mas com a sujeira necessária do estilo, onde os timbres soam bem orgânicos e transbordando energia.

As letras casam perfeitamente com o cenário atual do país, mostrando que pouco se mudou em termos políticos e sociais de 1991 para cá, trazendo todo o protesto e ferocidade em temas líricos que superaram o teste do tempo. A arte gráfica é uma releitura da original, que mesmo se mantendo simples, soa direta e bem a calhar com a proposta do grupo.

No mais temos um trabalho enérgico, empolgante e que pode agradar tanto os fãs de Municipal Waste quanto aos fãs de Ratos de Porão e Cia. Ouça no talo, pois a diversão é garantida!


Links:

Tracklist:
1. Realidade
2. Massacrados
3. Corrupto
4. Conflitos Sociais
5. Humanidade
6. Sociedade é uma Prisão
7. Meu Filho (Câmbio Negro HC)
8. Desconstrução (Ação Direta)
9. Medo (Cólera)

Formação:
Germano Duarte - Vocais, guitarras
Rafael Feldman - Baixo
Marcio Duarte - Bateria

sábado, 19 de agosto de 2017

The Night Flight Orchestra: Glorificando os Anos 70 e 80 com Propriedade



Se o Melodic Rock, AOR ou o Rock de Arena não vendem milhões como nos anos 80, pelo menos temos certeza de que ainda possuem uma base consistente de fãs. É só ver o crescimento da gravadora Frontiers, especializada no estilo, e também a quantidade de lançamentos desse pessoal dos anos 70 e 80, seja com as bandas originais ou novos projetos, e ainda, fazem tour e shows de grande porte, a exemplo das bem sucedidas tours de Toto, Journey, Asia, Kansas e outros. Neste contexto, também vimos surgir vários novos nomes fazendo música inspirados pelo estilo, e chamando a atenção de outras gravadoras, e o The Night Flight Orchestra é um desses nomes, que lança seu terceiro álbum, agora pela Nuclear Blast.

"Amber Galactic", este terceiro disco do projeto formado por membros do Soilwork e Arch Enemy, traz novamente as influências do Classic Rock 70's, mas mais evidentes aqui o Rock de Arena dos anos 80, com aquele acento Pop, além de elementos do Space Rock e do Progressivo (mais puxado para o dos anos 80, que tinha uma roupagem mais "radiofônica"), e pitadas de Soul e até Disco, resultando numa sonoridade muito agradável e cativante, com muito suingue e energia positiva! É bem legal também a estética da arte, num estilo "futurístico vintage", que lembra o filme Tron.

  
"Midnight Flyer" abre o álbum, e é curioso ouvir uma voz feminina falando em português na introdução inicial, e também no final da música. É uma música vibrante e enérgica, onde já salta aos olhos os excelentes ganchos, com melodias pegajosas, tanto por parte dos vocais como do instrumental, algo recorrente por todo o álbum; "Star of Rio" (hum...mais uma referência ao Brasil) traz a pegada Classic Rock com suingue, é algo que eles fazem com maestria, e aqui ainda os backing vocals de soul music (uma novidade que funcionou muito bem no álbum foi a adição dos backing vocals femininos) e as palmas no refrão tornam a música ainda mais cativante.

"Gemini" traz irresistíveis refrãos e backing vocals, breaks bem legais, e uma batida cativante, que modula algo da Disco Music. Impossível não ficar cantarolando as melodias! Um Hit pronto!; "Sad State of Affairs" e seu riff de guitarra me lembraram algo de Kiss clássico, pela sua levada mais Rock & Roll; "Jennie", ah, canções com nome de mulher, bem anos 80! O começo progressivo me lembrou Kansas, e o refrão segue o estilo baladas AOR clássicas, com um certo acento pop. Finalizada com um clima sensual, com a garota falando em francês.

Mas mais anos 80 que "Domino" acho que não tem no álbum! Seguindo um estilo que lembra muito o ToTo em seus momentos mais "radiofônicos". Sintetizadores, percussões e os vocais de Strid são o destaque, numa canção também cheia de suingue. Falei em ToTo, ela tem uma batida e estilo que lembra a "Africa", mega hit do grupo; em seguida, mais uma com nome de mulher, "Josephine", e banda sempre me lembrou Thin Lizzy, desde seu primeiro álbum, e esta, e alguns outros momentos, me remetem a banda de Phil Lynnot, por causa desse suingue e influências de Black Music. Destaque absoluto para as melodias dos teclados e os backing vocals, sendo que o solo de guitarra também merece menção.


"Space Whisperer" tem muita energia, e o destaque aqui, além da pegada, são os teclados e sintetizadores e as melodias do refrão, que me trouxeram uma certa sensação de saudosismo, certamente por essa aura 80's bem acentuada; "Something Mysterious" se fosse lançada nos anos 80 certamente estaria nos charts da época, uma peça em mid-tempo herdeira direta dos hits Melodic Rock e AOR daquela era. Batida cativante, suingada, teclados e refrãos irresistíveis! 

"Saturn in Velvet", mergulha mais no Progressivo, mas também traz doses de Classic Rock e nuances da Black Music; Temos ainda, apesar de não estar relacionada na capa, a faixa bônus "Just Another Night" na versão lançada pela Shinigami, faixa também carregada de ritmo e suingue, temperada pelos teclados, percussões e saxofone.

Impossível ouvir e já não sair imediatamente batendo o pé, batucando na mesa ou estalando os dedos para acompanhar o ritmo cativante das músicas, e sem ficar com as melodias na cabeça. A banda reproduz com feeling e propriedade (muita propriedade! Realmente convencem) aquela música acessível e "comercial" dos anos 80, com um pé nos 70's, e ainda com uma sonoridade e produção mais atual, enfatizando as melodias "grudentas". Excelente álbum, repleto de músicas cativantes, ótimas melodias, energizantes e com um arzinho saudosista. Diversão pura! Recomendo!

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica: 
Banda: The Night Flight Orchestra
Álbum: "Amber Galactica" 2017
Estilo: Melodic Rock/Classic Rock/Progressive
País: Suécia
Produção: The Night Flight Orchestra
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records

Adquira o álbum na Shinigami

Line-up:
Björn Strid – vocals
Sharlee D’ Angelo – bass
David Andersson – guitar
Richard Larsson – keyboards
Jonas Källsbäck – drums



Tracklist:
01. Midnight Flyer
02. Star Of Rio
03. Gemini
04. Sad State Of Affairs
05. Jennie
06. Domino
07. Josephine
08. Space Whisperer
09. Something Mysterious
10. Saturn In Velvet

Canais Oficiais:
Facebook

    


    

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Gamma Ray: "Lust For Live" & "Heading for the East" Edições Comemorativas 25 Anos



Parte dos relançamentos especiais comemorando os 25 anos de banda, o Gamma Ray, através da earMusic (e disponibilizados no mercado nacional pela Shinigami Records), traz também esses dois álbuns ao vivo, os quais trazem um apanhado dos primeiros anos do grupo, englobando músicas dos três primeiros álbuns, além de músicas do Helloween.

Tanto "Heading for the East" como "Lust For live" haviam sido lançados somente em VHS e DVD, então é um atrativo bem interessante para o fã e colecionador, e também para os novos seguidores da banda, que já está sendo agraciado com essas edições comemorativas que trazem vários bônus, além de uma qualidade sonoro superior e até arte gráfica diferente, além de muitas informações no encarte.

"Heading for the East"  é duplo, e baseia seu repertório nos dois primeiros álbuns (Heading for Tomorrow" e "Sigh no More", lançados em 90 e 91, respectivamente) destacando faixas como "Lust for Life" e "Who do You Think You Are", além de várias músicas do Helloween, banda anterior de Kai Hansen (como a maioria certamente sabe), e podemos destacas aí "I Want Out" e "Ride the Sky"

O álbum, conforme o título já diz, foi resultado da tour no Japão, país onde o álbum "Heading for Tomorrow" obteve grande sucesso, motivando a gravadora a gravar 2 shows para lançamento em VHS e DVD. Parecia cedo para uma banda com 2 álbuns somente lançar um DVD, mas Kai Hansen já gozava de popularidade no Japão por causa do Helloween, que também havia excursionado com sucesso na terra do sol nascente anos antes.


"Lust For Live" é em CD simples, mas já traz faixas do terceiro álbum, "Insanity And Genius", o qual também foi o último com Ralf Scheepers nos vocais. Originalmente somente disponível em VHS na época que foi lançado, em janeiro de 1994, e é um show em que foi muito elogiada a energia da banda, com muitos considerando as versões ao vivo superiores à de estúdio. O grupo também estreava dois novos integrantes, apresentando pela primeira vez ao público Jan Rubach (baixo) e Thomas Nack (bateria), sendo que este, registro aqui como curiosidade, escreveu as letras para a faixa título do álbum "Insanity And Genius". 

Gravado no Docks, em Hamburgo, na Alemanha, em 25 de setembro de 1993, "Lust For Live" traz como destaque as novas "Tribute to the Past", excelente versão, cheia de energia e grandes vocais, além de "No Return", "Insanity and Genius", "Last Before the Storm", "Heal Me" e "Future Madhouse", todas do, então, novo álbum. Nesta edição de aniversário, ainda foi incluída como bônus a faixa "Gamma Ray", ou seja, mas da metade do "Insanity...". Não faltaram também faixas do Helloween, com a trinca "I Want Out", "Future World" e "Ride the Sky".


Dois álbuns ao vivo que indico com segurança aos fãs de Power Metal em geral, pela energia que eles trazem, captando um  momento bem especial para a banda, que começava a consolidar o nome Gamma Ray definitivamente, e traz muitas músicas marcantes da carreira do grupo. 

Além disso, além de ser indicado aos fãs de Power Metal em geral, com certeza para os fãs mais antigos também, pois traz esse atrativo de ser a primeira vez que temos esses lançamentos em CD, trazendo ainda faixas extras e uma qualidade sonora excelente. Recarregue a bateria com a energia destes álbuns!

Texto: Carlos Garcia



Tracklist "Heading for the East"
CD 1:
Intro
Lust for life
Heaven can wait
Space eater
Free time
Who do you think you are

CD 2:
The silence
Save us
I want out
Ride the sky/Hold your ground
Money
Heading for tomorrow

     

Tracklist – “Lust For Live”:
Intro
Tribute To The Past
No Return
Space Eater
Changes
Insanity And Genius
Last Before The Storm
Heal Me
I Want Out / Future World / Ride The Sky
Future Madhouse
Heading For Tomorrow / Dream Healer (Bonus Track)
Gamma Ray (Bonus Track)

     

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Canilive: Buscando Seu Espaço no Cenário Brutal/Death



O Canilive não é um nome exatamente novo, pois surgiu no Rio de Janeiro em 2006, porém em 2010 o grupo deu uma parada, retornando em 2013, e em 2016 apresentou este primeiro registro oficial, "Psychosomatic Schizophrenia", EP com 5 faixas. A banda, recentemente, sofreu novas baixas no line-up, e ainda não anunciou novos integrantes.

Percalços à parte, com este EP o grupo mostra que voltou decidido a buscar seu espaço, trazendo um material com produção sonora muito boa, além de apresentação gráfica caprichada. O Brutal Death Metal do quinteto é rápido e agressivo, porém demonstra também técnica, o que lhes abre um leque interessante de possibilidades dentro do estilo, trazendo variações e ideias interessantes nas músicas que compõem o EP.

Temos velocidade e brutalidade em um nível desenfreado em alguns momentos, como na abertura com "Posthumous State of Mind", mas também, conforme destaquei anteriormente, apresentam variações, com riffs marcantes e trechos mais cadenciados, como por exemplo na faixa "The Celebration of Ignorance", ao meu ver, o destaque do EP, que possui uma boa qualidade
 no geral.

A exemplo das guitarras, os vocais também apresentam boas variações, transitando pelo gutural e screaming vocals. A cozinha também tem um trabalho bem feito, com peso e velocidade dos blast beats na bateria quando exigido.

O Canilive mostrou que está no caminho certo, visto a preocupação em apresentar algo concreto e bem acabado, com composições que certamente agradarão aos fãs do estilo. Esse é o pensamento, apresentar um trabalho de qualidade e seguir buscando evolução. Aguardemos agora os próximos movimentos da banda, e o novo line-up.

Texto: Carlos Garcia
Ficha Técnica:
Banda: Canilive
Álbum: "Psychosomatic Schizophrenia" (EP 2016)
País: Brasil
Estilo: Brutal Death Metal
Assessoria: Dunna Records

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Line- up:
Gustavo Moreira – vocal
Raphael Dizus – guitarra
Alcindo Neto – guitarra
Caio Planinschek – baixo
Alberto Armada – bateria
(Obs: Line Up que gravou o EP, sendo que Alcinco, Caio e Alberto já deixaram a banda)

Tracklist:
1. The Posthumous State Of Mind
2. The March For Excellence
3. The Celebration Of Ignorance
4. Witnessing Your Fall
5. Modification
 



sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Axel Rudi Pell: Classe e Inspiração no "The Ballads V"




O guitarrista alemão Axel Rudi Pell simplesmente não fica muito tempo sem lançar um trabalho, seja de inéditas, coletâneas ou DVD/Blu Ray, e para alegria do seu público, além do recente "Game of Sins" (de 2016, e 17º álbum de estúdio da carreira solo), solta mais um volume da sua já tradicional série de álbuns de baladas,  "The Ballads V".

Em "The Ballads V" podemos usufruir da classe e qualidade do guitarrista, e sempre são mais que simples coletâneas, pois apresentam material inédito e versões bem interessantes, e é uma série que vem tendo sucesso na carreira do guitarrista, inclusive alcançando postos altos nos charts alemães. Além do mais, ninguém compõe baladas melhor que os músicos do Heavy Metal/Hard Rock, não é verdade? E esse tipo de música atinge um público mais amplo, e com certeza trouxe muitos novos fãs.

O álbum já abre muito bem com "Love's Holding On", de cara um dos destaques, uma composição bela e inspirada, trazendo Bonnie Tyler como convidada nos vocais; Logo após, temos a versão para "I See Fire", música de um dos queridinhos atuais da música Pop, Ed Sheeran, que, se não fosse pelas informações no encarte, eu não saberia que era uma cover, pois não conheço realmente o trabalho do cantor, e porque a versão de Axel simplesmente ficou muito boa, encaixando perfeita no álbum e seu estilo. Vale destacar os teclados inspirados e o trabalho vocal de Gioeli, utilizando-se de sobreposição de vozes graves e altas.

Axel e Bonnie Tyler
"On the Edge of Our Time", é mais uma inédita, e tem uma levada pesada, meio épica, destacando os solos limpos e viajantes, com o uso de delay, lembrando o estilo de David Gilmour;  em seguida, mais uma versão, agora para o clássico "Hey Hey My My", de Neil Young, que também ganhou uma roupagem no estilo balada Hard/Heavy, e ficou muito bonita. Belas orquestrações e vocais inspirados de Johnny Gioeli (também do Hardline, e com Axel desde 97) são o destaque.

"Lived ou Lives Before" traz Mike Terrana, que integrou a banda entre 1998 e 2013, como convidado, em mais uma tradicional Power-Ballad; nessa mesma linha temos na sequência a já conhecida "When Truth Hurts", cheia de emoção, destacando o piano; "Forever Free" tem suavidade, mas não abre mão do peso, principalmente no riff principal marcante; "Lost in Love" é outra Power-Ballad não menos sensacional, teclados/orquestrações num estilo meio trilha sonora, grande refrão e inspirado solo.


Pra fechar, duas faixas ao vivo, "The Line", gravado no festival Rock Ages, em 2016, e "Mistreated", cover do Deep Purple, gravada no Bang Your Head de 2014, trazendo os ex-Rainbow Doogie White (vocais) e Tony Carey (teclados) como convidados.

Um belo trabalho novamente, com muitos atrativos, quase um novo álbum. Acima de tudo, com muita classe e bom gosto musical, em mais de 70 minutos de belas baladas Hard/Heavy, com suavidade, mas sem abrir mão do peso.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Axel Rudi Pell
Álbum: The Ballads V
País: Alemanha
Estilo: Hard Rock/Heavy Metal
Produção: Axel Rudi Pell (co-produção por Charlie Bauerfeind)
Selo: SPV/Shinigami Records



Line Up:
Johnny Gioeli – Lead and Backing Vocals
Axel Rudi Pell – Lead, Rhythm and Acoustic Guitars
Ferdy Doernberg – Keyboards
Volker Krawczak – Bass
Bobby Rondinelli – Drums

Tracklist:
Love’s Holding On
I See Fire
On the Edge of Our Time
Hey Hey My My
Lived Our Lives Before
When Truth Hurts
Forever Free
Lost in Love
The Line
Mistreated