terça-feira, 18 de julho de 2017

Avatarium: Soando Clássico e Novo ao Mesmo Tempo


 

Essa banda me empolga mais a cada álbum! Nascido da genialidade de Leif Edling (Candlemass), o Avatarium chega ao seu terceiro full-lenght, e a cada novo trabalho, evoluem e podemos dizer que moldou uma personalidade bem própria e marcante. 

Lá em 2012, quando começou a fazer a s primeiras demos, chegando a fazer o convite a Mikael Arkerfeldt (Opeth) para se juntar ao novo projeto, felizmente, devido as agendas, Mikael não pode aceitar. Digo felizmente, porque talvez o Avatarium corresse o risco de se tornar uma banda chata e autoindulgente como a banda titular de Akerfeldt. 

Quando a coisa é para dar certo, o universo conspira, e Marcus Jidell (Soen, Evergrey, Royal Hunt) entrou na jogada, e trouxe sua esposa Jennie-Ann Smith para os vocais. A mistura dos riffs Doom e influências 70's com os elogiáveis dotes vocais de Jennie-Ann fundiram-se em uma alquimia fantástica, trazendo uma sonoridade clássica, mas ao mesmo tempo soando nova!


"Hurricane And Halos", traz uma banda ainda mais livre e criativa, e daquelas que começa a ser difícil rotular, pois as influências Doom Metal ainda estão presentes em riffs e em momentos de mais peso, como na abertura "Into the Fire/Into the Storm", onde os riffs de guitarra se fundem ao Hammond, trazendo a mente os clássicos Sabbath e Purple.

"The Starless Sleep" vem com timbres 70's e nuances psicodélicas, com absoluto destaque as linhas vocais e a levada cativante; "Road to Jerusalem" tem um clima meio oriental, com elementos do progressivo setentista, bluesy e folk. Percussões e a guitarra nessa linha bem bluesy dão um clima viajante, destacando mais uma vez as linhas vocais profundas e carregadas de feeling de Jennie-Ann. 

Você vai percebendo que a banda transita por momentos que beiram a genialidade, nessa sua fórmula de criar músicas, que mesmo em peças mais longas e com viagens instrumentais, é de fácil assimilação, justamente pela facilidade em tecer melodias marcantes e empolgantes, e claro, toda a paixão dos vocais de Jennie-Ann. "Medusa Child", com suas intervenções Doom e Progressivas, é banhada com doses de psicodelia, e nos mergulha em uma trip de surpresas, pois estamos envolvidos em riffs Doom e teclados bem 70's, quando de repente entra um coral com vozes de crianças, e depois nos pegamos flutuando em um mar formado pelos teclados, que vai crescendo, até vir a padecer lentamente.


Depois do mergulho em "Medusa Child", somos despertados pela levada dinâmica de "The Sky at the Bottom of the Sea", com o Hammond em destaque ao lado dos riffs de guitarra, tem algo de Uriah Heep, inclusive em algumas linhas melódicas no vocal, que remetem a clássica "Easy Living". Puro 70's soando atual. Grande canção, onde tenho que fazer abrir parênteses para elogiar os riffs e solos de Marcus Jidell, sempre com aquela aura 70's, sem exageros e com muito feeling.

"When Breath Turns to Air" é uma balada climática e profunda, e como não poderia deixar de ser, com a aura 70's a flor da pela. As guitarras viajantes de Marcus brilham e deixam o espaço para a voz e os teclados também ficarem sob os holofotes nesta melancólica e profunda balada; "A Kiss From the End of the World" começa com um violão folk pra em seguida dar espaço ao peso das guitarras e da cozinha, devidamente acompanhadas pelo Hammond. 


A banda cria climas únicos com suas nuances 70's, Doom Metal e  doses de psicodelia; A instrumental melancólica e viajante "Hurricane and Halos" fecha mais um grande trabalho dos suécos, e me deixou a certeza que é uma das minhas bandas preferidas da atualidade, e uma das melhores coisas que apareceram na cena nos últimos anos.

Avatarium é clássico, viajante, refinado, pesado e traz o frescor criativo e liberdade que a música de hoje precisa, com tantos soando iguais e sem alma. Não sei bem o que eles bebem lá na Suécia, mas poderiam dividir com o resto do mundo, porque é impressionante a quantidade e qualidade da música que vem de lá. E tenho que aplaudir a mão de Leif para compor, sendo que assina 6 das 8 músicas, e a performance irrepreensível de seus companheiros, e um dos grandes diferenciais da banda, Jennie-Ann (e o seu nome me lembra uma de minhas cantoras favoritas, Jenny Haan, do Babe Ruth).

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica:
Banda: Avatarium
Álbum: "Hurricane and Halos" 2017
Estilo: Heavy Metal/Hard Rock 70's/Doom Metal
País: Suécia 
Produção: Marcus Jidell
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records


Mais Avatarium:

 Line-up:
Jennie-Ann Smith: Vocais
Marcus Jidell: Guitarras
Leif Edling: Baixo
Lars Skold: Bateria
Rikard Nilsson: Teclados
Percussões: Michael Blair

Tracklist:
Into the Fire/Into the Storm
The Starless Sleep
Road to Jerusalem
Medusa Child
The Sky at the Bottom of the Sea
When Breath Turns to Air
A Kiss (From the End of the World)
Hurricanes and Halos

   


   

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Entrevista - Bendicta: Melódico, Moderno e Visceral!



Apesar do pouco tempo de formação (a banda nasceu em junho de 2015, em SP), o Bendicta já vem chamando atenção pela sua sonoridade pesada, melodiosa, visceral e moderna, mas sem relegar as influências mais tradicionais. Além disso, a banda aposta em letras em português e ainda tem o carisma e a voz marcante da vocalista Angel à frente, e demonstrando muita determinação e profissionalismo, o grupo vem crescendo, e recentemente lançou seu EP de estreia, "Recomeço", em evento bem especial no tradicional Manifesto em SP.

Conversamos com a simpática e carismática Angel, que nos contou mais a respeito da banda, suas opiniões sobre diversos assuntos do mundo da música, a participação no concurso "A Voz do Rock", e também sobre como iniciou sua carreira na música, que não foi exatamente no Rock pu Metal. Confira que o papo foi muito legal!


RtM: Olá Angel, gostaria de parabenizar a banda Bendicta pela excelente estreia com o EP “Recomeço”. 
Angel: Obrigada!  Foi uma enorme realização pra nós.

RtM: Primeiramente, vamos conversar um pouco sobre seu início de carreira e como você descobriu que queria ser cantora?
Angel: Costuma-se dizer que é a música que te escolhe e eu acredito muito nisso, está no meu DNA. Eu vim pra SP muito nova, tinha uns 9 anos, meu pai tinha uma dupla sertaneja e achou que aqui era mais fácil de acontecer. Infelizmente não deu certo pra ele, mas acabei seguindo os mesmos passos, embora num estilo totalmente diferente hoje em dia.
Eu tenho 3 irmãs, mas fui a única que ele tentou e notou que havia um talento escondido ali. Minha primeira experiência com o palco foi aos 5 anos, dublando “Lua de Cristal” da Xuxa com aquele microfone de rabinhos (Risos)! Pena que não tenho registro disso! 

"Costuma-se dizer que é a música que te escolhe e eu acredito muito nisso."
RtM: Legal! E sua primeira experiência cantando de verdade?
Angel: Meu primeiro palco cantando de verdade foi aos 11 anos, meu pai me inscreveu em um concurso, cantei “Seu Olhar” da Sula Miranda e nunca me esqueço disso, porque quase morri de tanta vergonha (sim, eu era extremamente tímida).  
No início foi bem difícil pra mim, porque embora eu gostasse de música, eu não tinha essa desenvoltura toda, e mesmo assim ele me colocava em várias “roubadas”, pra cantar em todas as festas da família com playbacks em fita cassete. Aos 14 anos fiz teatro na escola e entrei para o grupo de teatro da igreja católica que eu frequentava, isso me ajudou demais a encarar o palco e o público. Cantei em uma pizzaria algumas vezes com meu pai, mas percebi que sertanejo não era o meu forte.

Comecei a curtir o microfone de verdade na adolescência, quando fui fã do grupo teen Backstreet Boys, onde montei um grupo de meninas e comecei a compor minhas primeiras letras, e aprendi facilmente a fazer harmonização vocal ouvindo as apresentações deles “a cappella”.


RtM: E a primeira experiência com o Rock e outros projetos musicais antes da Bendicta ?
Angel: Aos 17 anos enquanto eu fazia parte de um grupo de street dance eu conheci meu primeiro namorado, que era tecladista de uma banda de rock, ensaiávamos no mesmo colégio, e em certa ocasião me convidou para ser backing vocal da banda dele “Dr. Lao” em 2002. A primeira música que aprendi a cantar no rock foi “Run to the Hills” do Iron Maiden, e daí por diante fui pegando gosto pela coisa. Tive essa certeza ao me apresentar pela primeira vez com a Dr. Lao, foi então que descobri a minha vocação para o Rock. Foi nessa minha primeira banda que conheci o Thigas (guitarra, vocal e principal compositor da Bendicta).

Tive diversas bandas e projetos, fiz muita coisa durante esses 15 anos. Tive uma banda autoral chamada “Ghost Dogs”, gravamos um disco na época, e também algumas bandas de festa como a “Louvre” e cover diversos estilos como “Rock to the Bone”, mas música nunca foi meu ganha pão, infelizmente, tudo o que eu faço é por pura paixão mesmo,  quem sabe um dia se torne a minha principal profissão, não custa nada sonhar!

Making off do clipe "Essência"
RtM: Fale um pouco sobre sua formação musical. Quais foram suas primeiras influências e quais são as atuais?
Angel: Eu me formei em Canto Popular pela EM&T em 2008, estudei com a professora lírica Eliete Murari. Fiz muitas apresentações na escola ao longo do curso, de vários estilos, o que contribuiu muito para a minha performance e expressão corporal. Mas o que realmente vale é a experiência de palco que tive com as tantas bandas das quais fiz parte.

Tenho várias influências musicais dentro e fora do Rock, acho isso super importante, principalmente para quem compõe, porque abre seu leque de possibilidades. Sou fã de artistas como Michael Jackson e atualmente Bruno Mars, e no Rock minha base vem do Hard Rock, vocalmente falando, esses são alguns dos vocais (antigos e novos) que me inspiram: David Coverdale, Bruce Dickinson, Steven Tyler, Robert Plant, Ronnie James Dio, Freddy Mercury, Sammy Hagar, David Lee Roth, Axl Rose, Bon Jovi, Layne Staley, Chester Bennington, Lzzy Hale, Jared Leto, David Draiman, Myles Kennedy, e muitos outros nessa linha.

RtM: Conte-nos um pouco sobre como a banda começou. 
Angel: A banda surgiu de um reencontro online entre o Thigas e eu, vou contar como foi do meu lado (risos).
Eu estava tocando bastante com a “Rock to the Bone”, mas sentia que faltava algo, e certa vez ao tocar no Evento “Rock In Midia” da 89 FM, o produtor Lampadinha estava lá, e ao final do evento veio falar comigo e perguntar se não tínhamos som autoral. Eu disse que não, mas que gostaria muito, só que achava que ali não iria rolar, até porque faltava tempo pra compor, fazer música é bem trabalhoso e exige muito dos integrantes, então ele me disse que eu estava perdendo tempo... fiquei atordoada com essa conversa, foi meio que um empurrão que eu precisava. Perguntei pra ele o que achava sobre letras, se o ideal seria em inglês ou português e ele me disse que pra tocar no Brasil, teria que ser em português. A semente estava plantada. 

RtM: Podemos dizer que a  partir daí começou a se desenhar a história do Bendicta?
Angel: Depois disso comecei a pensar muito, e decidi desistir da banda cover para montar uma focada somente em som autoral. Comecei a pesquisar sites de músicos, e já meio sem perspectiva, encontrei o Thigas online no Facebook e começamos a bater papo. Ele comentou que queria fazer umas gravações e gostaria que eu participasse, falou também que tinha algumas ideias dele gravadas. O Thigas sempre teve bastante envolvimento com som autoral, acho que isso foi providencial naquele momento. Falei do meu propósito e ele então me mandou uma das músicas que já tinha até vocal e letra, achei demais e desde o início acreditei que ele tinha um puta talento pra composição. Decidimos então fundar a banda e começamos a busca pelos demais integrantes, na sequência iniciamos os ensaios e a estruturação dos sons.

"Influências musicais dentro e fora do Rock...acho super importante, principalmente para quem compõe, porque abre seu leque de possibilidades..."
RtM: E como surgiu o nome “Bendicta”?
Angel: Escolher nome pra banda é sempre uma tarefa complicada, e “Bendicta” surgiu de um brainstorming entre todos, achamos que o nome era original, soava bem, curto e fácil de memorizar, além da sensação de trazer boas energias, e ainda não tinha nenhum registro na internet.

RtM: Hoje o cenário está bem mais “povoado” pelas bandas com integrantes femininos, mas nos fale como você vê a participação da mulherada, ainda tem alguma discriminação?  E o fato de ser mulher facilitou ou dificultou alguma coisa em termos de carreira musical?
Angel: Eu acho que ainda está muito longe do que se diz a respeito de igualdade, mas estamos caminhando. Eu acho que tudo na vida tem dois lados, assim como o fato de ser mulher nesse meio. O lado bom de ser mulher é que existe o lance do visual, o que afeta diretamente o público, ainda mais quando se tem uma personalidade bem marcante. O lado ruim é que, mesmo você tendo muito talento, muitas vezes é julgada por ter preferência ou maior destaque justamente por causa desse apelo visual, é bem complicado, nem todo mundo consegue lidar com isso, tanto a mulher quanto os demais envolvidos.

RtM: Quais foram os maiores desafios que você já encontrou durante sua carreira?
Angel: O maior desafio é nunca perder a fé, acreditar sempre que o seu dia vai chegar, trabalhar duro, persistir, mas acima de tudo, fazer com o coração, o resto é consequência. Ainda estou na fase de investimento, aliás, essa fase nunca acaba, você só renova. Aos poucos você vai colhendo os frutos e o reconhecimento disso.

RtM: Como você vê o atual momento da cena musical brasileira? 
Angel: A cultura brasileira nunca favoreceu o Rock, isso é fato, mas ele sempre existiu e todos os dias aparecem bandas novas, talvez não com a mesma visibilidade do que foi no passado ou comparado às bandas internacionais, mas isso está mesmo muito ligado à nossa cultura, que é criticar tudo o que é novo, principalmente vindo do público mais velho.
Eu acho que o mercado do Rock Nacional é carente e precisa de novas caras, precisamos deixar um legado para as próximas gerações, mas pra isso é preciso apoio das mídias em geral e principalmente do público consumidor de Rock.

"Acho que o mercado do Rock Nacional é carente e precisa de novas caras."
RtM: Sobre a sonoridade da Bendicta, gostaria que você falasse um pouco sobre as influências e como foi a construção dessa identidade da banda.
Angel: Cada membro da banda tem suas influências particulares, então tentamos unir aquilo que era comum a todos e mesclar com o que cada um tinha a oferecer do seu interior. Pensamos em fazer algo pesado, com afinação baixa, porém com elementos modernos/eletrônicos e vocais melódicos.

A construção da identidade de uma banda geralmente parte dos principais compositores, na Bendicta vem principalmente do Thigas na parte estrutural inicial das músicas, e depois o vocal acaba marcando com a melodia e o encaixe das letras. Os demais membros agregam na produção, e durante os ensaios testamos e fazemos as modificações necessárias para que a música soe bem e fique do nosso gosto.

RtM: E a decisão em apostar em letras em português, conforme nos falou antes, você levou em conta a opinião do Lampadinha?
Angel: Sim, a decisão de apostar em letras em português veio daquele papo com o produtor Lampadinha, pois queremos tocar no Brasil, e conseguimos achar uma forma de compor nas entrelinhas, deixando o tema como uma mensagem “subliminar”, fazendo com que o público entenda da sua maneira, proporcionando uma identificação de acordo com aquilo que está sentido naquele momento da sua vida.

RtM: E sobre o EP, gostaria que você nos falasse um pouquinho sobre a música “Essência”, para mim, o destaque desse ótimo primeiro lançamento oficial.
Angel: A música “Essência” foi a escolhida para ser o nosso primeiro single e também foi o nosso primeiro videoclipe gravado pela O2 Filmes e lançado pela Vevo.
Como disse o Thigas em uma outra entrevista, “Essência” expressa exatamente o que a música é: aquilo que vem de dentro, nossa identidade. É nosso single mais visceral numa combinação com elementos modernos. Essa é a nossa cara, mostra que o velho e o novo podem e devem caminhar juntos.

RtM: Com o crescimento das vendas de música online e serviços de streaming, você acha que isso ajuda ou atrapalha as bandas independentes? 
Angel: Eu sou uma pessoa totalmente adepta à tecnologia, na minha opinião tudo o que é online ajuda muito na divulgação, até mesmo porque hoje em dia ninguém vive de venda de música e sim de shows e merchan. Temos que evoluir junto, e aproveitar tudo o que a internet tem a oferecer, fazer disso um aliado para que cada vez mais pessoas de todos os lugares do mundo possam conhecer nosso trabalho.

Angel e Rane (TwoGuyz) no lançamento do EP do Bendicta
RtM: Como foi participar da competição “A Voz do Rock 2017”? O que você aprendeu com essa experiência?
Angel: Entrar nessa competição foi meio que uma superação pra mim e também foi super inusitado, porque fiquei sabendo através de um professor da academia, e é claro, deixei a inscrição para o último dia, faltando poucos minutos para o encerramento. A vida toda eu me inscrevi em todos os tipos de festivais que você possa imaginar, todos esses programas de TV, e NUNCA me chamaram pra nada (risos). Descobri que eu havia passado na seleção sem querer, quando estava jantando com uma amiga e comentei que havia me inscrito e fui ler a premiação pra ela, então vi meu nome lá no site e quase surtei!(risos)

RtM: Ha ha ha! Muito Bom! Acompanhamos que rendeu uma boa visibilidade para a banda.
Angel: A voz do Rock... Difícil até de explicar o que foi esse turbilhão de emoções, dois meses de muito aprendizado, as pessoas maravilhosas que conheci, e essa puta vitrine que foi pra mim. Desde o início o meu objetivo sempre foi entrar no festival pra divulgar a BENDICTA, e Deus é muito bom, porque eu consegui e foi muito rápido. Foram mais de 1.500 amigos/seguidores novos no facebook nesse período (hoje já dobrou esse número), muitos likes e views nos nossos clipes e foi daí que surgiu o convite para o lançamento do EP no Manifesto... Uma coisa surreal que eu nunca tinha vivenciado antes.

RtM: Conte-nos um pouco mais sobre sua parceria com o Rane (TwoGuyz ), vencedor da “Voz do Rock 2017”. 
Angel: O Rane é um querido, um ser humano incrível, desde a primeira vez que nos encontramos na semifinal já rolou uma amizade e uma admiração fantástica! Virou até motivo de piada da turma, porque antes mesmo da final já viramos uma “dupla” do Rock, uma parceria que só tende a crescer cada vez mais. 
Quando ele foi pra segunda fase da final, é claro que a minha torcida era pra ele, mereceu demais, ele tem a estrela, um puta talento, só falta o mundo conhecer.

"Torcemos para que um dia possamos viver desse sonho que move as nossas vidas."
RtM: Por que escolheram começar com o cover de “Watch over  You” do Alter Bridge?
Angel: A escolha da música “Watch over You” foi uma sugestão minha, adoro a banda Alter Bridge, e estou feliz da vida porque vou vê-los no Rock in Rio pela primeira vez! Uhuuu (risos)
Eu sugeri essa música porque ela tem o clima de dueto que eu queria, e achei que ficaria muito bacana pra dividir com ele e “tirar” um pouco essa imagem de “Anjo com voz de demônio” que o festival criou sobre mim, queria mostrar que também tenho o lado “anjo com voz de anjo” (risos) embora eu combine mais com o demônio (risos), além do que, para um clipe de início, o apelo seria bem legal, já que é uma balada.
Já temos outras músicas encaminhadas para gravação e lançamento, e também estou iniciando parcerias com outros participantes do festival, acho importante e também acaba agregando demais em nossos portfólios.

RtM: Quais serão os próximos passos da Bendicta?
Angel: Estamos trabalhando na divulgação do nosso trabalho, enviando material para todos os festivais que achamos interessante participar, e também estamos em fase de nos reunir com o nosso produtor Fernando Quesada para definir os pontos em relação à gravação de novos sons, os quais já estamos trabalhando paralelamente aos demais compromissos.
Iremos tocar no evento “A Voz do Rock Fest” dia 16/07 no Manifesto Bar, vai ser uma segunda parte do festival, que foi criado também pelo Nando Fernandes, onde foram selecionadas as bandas autorais de alguns destaques do festival.

RtM: Para encerrar,  nos fale de suas expectativas para o futuro.
Angel: Embora o Rock não seja tão forte no Brasil, as expectativas são boas, cada vez mais estamos tendo espaço pra divulgar nosso trabalho, e o retorno do público tem sido muito bacana. Torcemos para que um dia possamos viver desse sonho que move as nossas vidas.

Entrevista: Raquel de Avelar 
Colaborou: Carlos Garcia
Edição e Revisão: Carlos Garcia
Fotos: Arquivo pessoal cedido pela banda/Divulgação
Assessoria: TRM Press


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quinta-feira, 6 de julho de 2017

Entrevista – Sepultura: 33 Anos e Em Grande Fase



Vivendo um grande momento e completando 33 anos de atividade, o Sepultura, enfim, lançou o tão aguardado documentário “Sepultura Endurance”, onde nós, do Road To Metal, tivemos a honra de conferir, em primeira mão, detalhes deste importante registro exclusivamente para os jornalistas no dia 30/05. Anterior a isso, a banda lançou “Machine Messiah”, que ainda vem obtendo criticas positivas.  (English Version)

Depois que foi encerrada a coletiva de imprensa, tivemos a oportunidade de conversar com a banda, onde o guitarrista Andreas Kisser tomou a frente, e, entre outras coisas, nos contou sobre a repercussão do novo trabalho e da alegria ao ver a história do Sepultura ser exibida em salas de cinema.


RtM: O Sepultura vem vivendo uma fase gratificante na carreira, culminada por um disco novo e pelo lançamento do tão esperando documentário, mostrando a banda na estrada nos últimos anos e retratando o que passou durante esses 30 anos. Encarar isso é como estivessem voltando no tempo, só que ainda melhor?
AK: Com certeza! Quando a gente vai relembrar o passado, mexendo nas fotos, montes de arquivos e acaba encontrando coisas que nem lembrava. Isso aconteceu durante o documentário, que celebra os 30 anos da banda,  uma marca importante. Fizemos uma turnê especial, lançamos o single “Under My Skin”, celebrando essa marca, e viajamos o mundo tocando muita coisa antiga. E isso preparou a gente pra fazer o “Machine Messiah”. Enquanto isso, paralelamente, o projeto do filme estava rolando, não tinha planos e nem uma data especifica pra sair. De repente, o Otávio chegou num ponto e falou: ‘Estou com o filme bem direcionado e pronto’. Faltavam algumas coisinhas aqui e ali, tanto é que, no Lollapaloza, e foi colocada a entrevista com o Lars Ulrich. Foi a ultima entrevista e a última coisa que foi adicionada no material.

RtM: A partir daí, vocês entenderam que o material para o filme estava realmente pronto? E o legal é que coincidiu com o lançamento do álbum , completando essas comemorações de 30 anos.
AK: O Otávio sentiu que o filme estava completo, a O2 Play entrou pra fazer os planos de distribuição, fizemos a pré-estreia em Los Angeles e as coisas começaram a acontecer. Então o lance dos 30 anos de carreira, do novo disco e do filme, na verdade, não foi planejada essa correlação. Lógico que o Otávio estava acompanhando todo esse processo: mudanças de bateristas, gravadoras... Enfim, acompanhando tudo isso! 

Então culminou com essa coincidência! O “Machine Messiah” saiu, foi muito bem recebido pela critica em geral e pelos fãs; fizemos duas turnês: uma pela Europa e outra pela América do Norte. Agora vamos voltar pra Europa pra fazer alguns festivais, Rock In Rio e enfim... E o filme saiu num momento oportuno, um pouco depois do lançamento do álbum, porque se saísse junto ia conflitar. E está saindo na hora certa! Dia 14 de junho é o dia Sepultura, onde a galera poderá assistir o filme. Além do filme, conferir as duas músicas mixadas em 4K, do show de 30 anos em São Paulo. 


 "É meio inacreditável colocar isso em salas de cinema, pois eu via filmes do AC/DC e Led Zeppelin nos cinemas."
RtM: Qual o sentimento de viver esse momento e ver esse filme pronto?
AK: É meio inacreditável colocar isso em salas de cinema, pois eu via filmes do AC/DC e Led Zeppelin nos cinemas. E ter essa possibilidade de colocar um filme do Sepultura no cinema, principalmente pra essa geração que nunca viu a banda, é mais uma linguagem que a gente pode chegar a pessoas que nunca iriam nos ouvir, mas que se interessam pelo formato do documentário, pela história e, quem sabe, se interessar pela música e da carreira do Sepultura.

RtM: E “Machine Messiah” vem crescendo, com várias criticas positivas, encarado por muitos como um potencial novo clássico. Você acha também que o sucesso dele se deve a expectativa, e ao que os fãs esperavam de um álbum da banda?
AK: O que o fã espera, com todo respeito, não importa! Se a gente for pensar em todo mundo, não vamos sair do lugar, porque são tantas opiniões e expectativas. E a gente foca entre a gente! O que a gente definir, vamos estar juntos! E é isso que é por bem ou por mal, tanto é que a gente arriscou. A gente sempre arrisca desde o “Chaos A.D”, “Roots”, “Tambours DuBronx”, “Machine Messiah”... Colocamos uns violinos e alguns negócios, mas a gente faz com dedicação e naturalidade, porque ficar fazendo o mesmo é muito chato também. Então a gente tenta trazer todas essas influências que vai assimilando nessas viagens pelo mundo: 76 países, 33 anos, todo ano um lugar diferente... Pode até visitar o mesmo país, mas está tocando numa cidade diferente. E tudo isso traz influência! Então eu não sei... 

RtM: Outra coisa que gostaria de comentar, é que percebi que desde o “Kairos” (2011), vocês vêm colocando mais a energia da banda ao vivo dentro do estúdio, com riffs pesados e adicionando coisas novas e até inusitadas, não deixando a identidade do Sepultura de lado também.
AK: Acho que não é desde o “Kairos”. No “Kairos” conseguimos, com o Roy-Z, transcrever essa coisa do ao vivo pro estúdio, mas a gente sempre teve essa preocupação de ter essa coisa mais orgânica, não depender muito do computador e das edições, mas realmente tocar. E o “Machine Messiah” é isso, ela tem essa coisa da performance mesmo. Acho que nem teve edição da batera, foi uma ou duas coisas que deixou a coisa fluir realmente. Muitas partes sem ‘click’, coisas que são mais da gente mesmo, procurando aquele pulso. E é isso que acontece ao vivo, pois ao vivo é sempre uma surpresa, e isso que é interessante.



RtM: Já de começo, o álbum apresenta novidades, sendo que a faixa-título (abertura do álbum), é marcada por melodias limpas e atmosféricas, algo que não é comum nos discos da banda. E faixa após faixa, percebemos nuances diferentes, indo de elementos de música brasileira e até mesmo orquestrações. A ousadia foi algo determinante pra tornar “Machine Messiah” um disco importante?
AK: Sem dúvida! Abrir o disco com uma música como “Machine Messiah” foi realmente uma coisa nova, apesar que, desde que o Derrick entrou na banda, ele usa melodia na voz. Se você lembrar direito, no disco “Against”, temos a “Common Bonds”, que é uma música que tem bastante melodia. No “Nation” temos a “One Man Army”, “The Ways Of Faith”, “Water”... “Grief”, do “The Mediator Between Head and Hands Must Be The Heart”. Tem um monte de coisa que o Derrick experimentou com a voz dele, mas nunca abrimos um disco com uma música melódica como essa. E a intenção foi fazer uma intro como uma abertura de uma ópera, uma ‘overture’, onde você vai criar uma expectativa do que vem depois disso. 

RtM: Acredito que vocês conseguiram realizar esse intento.
AK: Eu acho que a gente conseguiu criar essa expectativa, porque a galera escuta essa música e fala: “Caralho... O que vem depois?’ E essa era a intenção, realmente, de criar essa expectativa, porque é um álbum que você tem que escutar do começo ao fim. E depois que você escuta o disco inteiro, você volta pra “Machine Messiah” e sente o sentido da música dentro do contexto do disco.

RtM: Além das inovações, é importante destacar a sua versatilidade Derrick, há 20 anos na banda já, e com os  vocais limpos que você adicionou em várias partes do álbum, algo que foi muito observado pelos fãs e críticos, cairam super bem nas músicas que exigem esse lado. 
Derrick: Desde quando eu entrei na banda, os caras sempre queriam fazer coisas diferentes. Quando tem músicas com vibe e agressividade, é legal experimentar com voz suave e diferente. Comigo é sempre importante usar minha voz, dependendo em qual estilo de música. Sempre gostei de experimentar voz mais limpa, mas depende da música e da vibe. E com certeza é sempre interessante.



"Não tem como suprir as expectativas de todo mundo. Eu gosto de falar que o fã de Sepultura espera o inesperado."
RtM: Cada música possui sua personalidade, como “Phantom Self” e “Iceberg Dances”, que nos colocam em experiência novas. Mas “Silent Violence” e “Vandals Nest” são músicas do tipo que os fãs mais esperam, sendo ótimas pra executar ao vivo. Seguir direções diferentes, mas também sem esquecer elementos tradicionais é um dos fatores importantes para que o fã não perca o interesse?
AK: Como eu disse a gente não pensa no que o fã está pensando, com todo respeito. Não é uma coisa de negligenciar, mas é uma coisa que não tem como suprir as expectativas de todo mundo. Eu gosto de falar que o fã de Sepultura espera o inesperado da gente, porque nem mesmo sabemos o que vamos fazer no próximo, por exemplo. Estamos muito focados no que a gente está fazendo agora, vai coletar mais informações e tudo... E a gente sempre tem criticas, nunca é uma unanimidade e nem espero que seja, porque a critica tanto positiva quanto negativa é sempre muito bem vinda. E é isso que faz a gente mudar e crescer.

RtM: A sonoridade é outro fator a ser citado, pois quem cuidou da parte de produção foi o nada menos que o sueco Jens Bogren, que também trabalhou no ultimo disco do Kreator, possuindo um currículo impecável, retribuindo as suas ideias em bandas como Soilwork, Paradise Lost, Opeth, ArchEnemy e, até mesmo, o Angra. O papel dele no disco foi determinante, reforçando ainda mais o que estava preparado por vocês antes de entrar em estúdio?
AK: Perfeito! Sem dúvida nenhuma! A gente preparou uma demo e fomos pra Suécia, Estocolmo, e lá a gente começou a preparar as ideias junto com o Jens antes de gravar cada música de bateria. Foi ele que sugeriu os violinos, da orquestra da Tunísia, que abriu novas possibilidades, principalmente pra solos de guitarra, com aquelas conversas entre os violinos. O Jens é um produtor muito técnico!

Ele mixou e masterizou tudo! Eu acho que a gente teve uma escolha muito feliz de ter ido pra Suécia e ter trabalhado com ele. E abre novas oportunidades do futuro. Quem sabe a gente não continue esse processo... Mas como eu disse, estamos muito focados no que a gente fez e muito satisfeitos com o resultado de tudo. E é um disco que é legal de escutar, porque o Jens realmente conseguiu colocar guitarra, baixo e todos os instrumentos de uma forma fantástica!

O contexto por trás do álbum é sobre a evolução da tecnologia e de quão ela é significativa nos dias de hoje, mas que nos dá um sinal de alerta também, pois ela pode virar uma arma nas mãos de alguns, e de que também não podemos depender de tudo através dela. Trabalhar num contexto, avistado no cotidiano e na vivencia da humanidade, foi fácil?
AK: Foi fácil, porque a gente é humano, falando da humanidade... (risos) A gente teve essa possibilidade e privilegio de viajar ao mundo. Ao mesmo tempo que a gente toca num país como a Armênia ou Cuba, que não tem muita tecnologia, e vai num Estados Unidos, Alemanha ou Japão, você vê a diferença da influência tecnológica. Mas acho que o “Machine Messiah” quer mostrar ou discutir um certo ponto de equilíbrio, não ficar tão máquina e perder essa sensibilidade humana de conversar, trocar uma ideia, usar o cérebro e de desenvolver o intelecto. Não que a gente seja contra os robôs, mas que seja uma coisa de equilíbrio e disciplina.



RtM: Posterior a tudo isso, o inicio da turnê de divulgação do disco, que começou pela Europa ao lado Kreator, que também lançou disco novo no mesmo mês. E a maioria dos shows foram ‘sold-out’, ou seja, os fãs realmente seguem abraçando a banda. A tour seguiu também para os Estados Unidos, onde vocês tocaram ao lado do Testament. Conte pra gente um pouco de como foram esses shows.
AK: As turnês foram fantásticas, tocamos muitas músicas novas! Num set de uma hora, tocamos cinco músicas novas, que é uma coisa que a gente não fazia desde o “Chaos A.D” praticamente. E é muito bom que a galera tem respondido, escutado o disco e conhece as músicas. Foram duas turnês muito importantes pra gente, porque tocamos para um público ‘old-school’, pois muita gente da ‘old-school’, por causa de muitas coisas que houveram, meio que tinha esquecido do Sepultura. Então foi interessante tocar pra essa galera, tanto com o Kreator, na Europa, e com o Testament nos Estados Unidos. E foi tudo muito positivo! Voltamos muito motivados e prontos pra seguir! A gente volta pra Europa no verão Europeu.

Entrevista: Gabriel Arruda
Edição/Revisão: Carlos Garcia


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Interview - Sepultura: 33 Years and Living a Great Moment



Living a great moment and completing 33 years of activity, Sepultura will finally release the much anticipated documentary "Sepultura Endurance", where we, from Road To Metal, have had the honor of checking at first hand details of this important record, in an event exclusively for journalists, on May 30th. Prior to this, the band released "Machine Messiah", what is still getting positive reviews. (Versão em Português)

After the closing of the press conference, we had the opportunity to talk with the band, where guitarist Andreas Kisser took the lead, and, among other things, told us about the repercussion of the new work and the joy of seeing the history of Sepultura be shown in movie theaters. Check it:


RtM: Sepultura has been enjoying a rewarding career, culminating in a new album and the release of the long awaited documentary, showing the band on the road in recent years and portraying what happened during those 30 years. To face this is like a travel back in time, but only better?
AK: Absolutely! When we go to remember the past, moving the pictures, heaps of files and ends up finding things that we did not remember. This happened during the documentary, which celebrates the band's 30 years, an important brand. We did a special tour, we released the single "Under My Skin" celebrating that brand, and we traveled the world playing a lot of old stuff. And that set us up to do the "Machine Messiah". Meanwhile, in parallel, the film project was rolling, had no plans and no specific date to release it. Suddenly, Otávio (Juliano, director of the movie) arrived at one point and said, 'I have the film right and ready'. There were a few things missing here and there, so much so that in the Lollapaloza, and the interview with Lars Ulrich was placed. It was the last interview and the last thing that was added in the material.

RtM: From there, did you understand that the material for the film was really ready? And so nice coincided with the release of the album, is a great way to celebrate so many years of carrer.
AK: Otavio felt the film was complete, O2 Play came in to make the distribution plans, we made the preview in Los Angeles and things started to happen. So the 30-year career, the new album and the film, in fact, was not planned for this correlation. Of course, Otávio was following the whole process: changes of drummers, record companies ... Anyway, following all this! Then it culminated in this coincidence! The "Machine Messiah" came out, was very well received by critics in general and by the fans; We did two tours: one for Europe and one for North America. 

Now let's go back to Europe to do some festivals, Rock In Rio and finally ... And the film came out at an opportune moment, shortly after the release of the album, because if it came together it would conflict. And it is coming on time! June 14 is the Sepultura day (the date of the official release happened), where the crew can watch the movie. In addition to the film, they will watch two mixed songs in 4K, from the show of 30 years in São Paulo.

 "It's kind of unbelievable to put our documentary in movie theaters, because I watched AC/DC and Led Zeppelin movies in theaters."
RtM: What is the feeling of living this moment and seeing this movie ready?
AK: It's kind of unbelievable to put our documentary in movie theaters, because I watched AC/DC and Led Zeppelin movies in theaters. And having this possibility of putting a Sepultura movie in the cinema, especially for this generation that has never seen the band, is another language that we can reach people who would never listen to us, but who are interested in the format of the documentary, history and, who knows, interested in the music and career of Sepultura.

RtM: And "Machine Messiah" has been growing, with several positive reviews, regarded by many as a potential new classic. Do you also think that its success is due to expectation, and what fans expected from an album of the band ?
AK: What the fan expects, with all respect, doesn't matter! If we think about everybody, we will not leave from the same place, because there are so many opinions and expectations. And we are among the people! Whatever we set, let's be together! And this is what is for good or bad, so much so that we risked. We always risk from "Chaos AD", "Roots", "Tambours DuBronx", "Machine Messiah" ... We put violins and some business, but we do it with dedication and naturalness, because doing the same is a lot boring too. So we try to bring all these influences that are assimilated in these trips around the world: 76 countries, 33 years, every year a different place ... You can even visit the same country, but you are playing in a different city. And all this brings influence! So I do not know ...

RtM: Another thing I would like to comment on is that I realized that since "Kairos" (2011), you have been putting more that "live" energy to inside the studio, with heavy riffs and adding new and even unusual things, Sepultura's identity aside as well.
AK: I guess it's not since "Kairos". In "Kairos" we managed to transcribe this thing from live to studio from Roy-Z, but we've always been worried about having this more organic stuff, not relying heavily on the computer and the issues, but actually playing. And "Machine Messiah" is that, it has this same performance thing. I do not think there was any editing on the battery, it was one or two things that really let the thing flow. Many parts without 'click', things that are more of the same people, looking for that pulse. And that's what happens live, because live is always a surprise, and that's interesting.


RtM: Already at the beginning, the album presents novelties, being that the title track (opening of the album), is marked by clean and atmospheric melodies, something that is not common in the disks of the band. And track after track, we perceive different nuances, going from elements of brazilian music and even orchestrations. Has daring been a determining factor in making "Machine Messiah" an important record?
AK: Without a doubt! Opening the disc with a song like "Machine Messiah" was really a new thing, though, since Derrick joined the band, he uses melody in his voice. If you remember right, on the disc "Against", we have "Common Bonds", which is a song that has enough melody. In "Nation" we have "One Man Army", "The Ways Of Faith", "Water" ... "Grief" from "The Mediator Between Head and Hands Must Be The Heart". There's a lot of stuff Derrick experimented on with his voice, but we never opened a record with melodic music like that. And the intention was to make an intro as an opening of an opera, an 'overture', where you will create an expectation of what comes after that.

RtM: I think you got it your try!
AK: I think we created that expectation, because the listeners listen to this song and says, "Fuck ... What's next?" And that was the intention, really, to create that expectation, because it's an album that you you have to listen from beginning to end. And after you listen to the entire disc, you go back to "Machine Messiah" and feel the sense of the song within the context of the disc.

RtM: In addition to the innovations, it's important to highlight your  versatility, Derrick, 20 years already in the band, and with the clean vocals that you added in several parts of the album, something that was much noticed by the fans and critics, fell super well in the songs which require this side.
Derrick: Since when I joined the band, guys always wanted to do different things. When you have songs with vibe and aggressiveness, it's cool to experiment with a soft and different voice. With me it is always important to use my voice, depending on what style of music. I've always enjoyed a cleaner voice, but it depends on the music and the vibe. And it sure is always interesting.

"Something that we can not do, is to supply everyone's expectations. I like to say that the Sepultura fan expects the unexpected from us."
RtM: Every song has its personality, like "Phantom Self" and "Iceberg Dances", that put us in new experiences. But "Silent Violence" and "Vandals Nest" are songs the kind of fans most expect, being great to perform live. Following different directions, but also without forgetting traditional elements is one of the important factors so that the fan does not lose interest?
AK: Like I said we do not think about what the fan is thinking, with all respect. It's not a neglecting thing, but it's something that we can not do, is to supply everyone's expectations. I like to say that the Sepultura fan expects the unexpected from us, because we do not even know what we're going to do next, for example. We are very focused on what we are doing now, will collect more information and everything ... And we always have criticism, it is never unanimity and I do not expect it to be, because the criticism both positive and negative is always welcome. And that's what makes us change and grow.

RtM: The sound is another factor to be mentioned, because the one who took care of the production part was nothing less than the swedish Jens Bogren, who also worked on the recent album of Kreator, having an impeccable resume, repaying his ideas in bands like Soilwork , Paradise Lost, Opeth, Arch Enemy and even Angra. Was his role on the record a determining factor, further reinforcing what was prepared for you before entering the studio?
AK: Perfect! No doubt! We prepared a demo and went to Sweden, Stockholm, and there we started to prepare the ideas together with Jens before recording each drum song. It was he who suggested the violins, from the Tunisian orchestra, which opened up new possibilities, especially for guitar solos, with those conversations between the violins. Jens is a very technical producer!

 He mixed and mastered everything! I think we had a very happy choice to have gone to Sweden and worked with him. And it opens up new opportunities for the future. Maybe we will not continue this process ... But as I said, we are very focused on what we did and very satisfied with the outcome of everything. And a record that's cool to listen to, because Jens really got to put guitar, bass and all the instruments in a fantastic way!

RtM: The context behind the album is about the evolution of technology and how significant it is these days, but it gives us a warning signal as well, because it can turn a weapon into some hands, and we can not either depend on everything through it. Was it easy to work in a context, seen in everyday life and in the experience of humanity?
AK: It was easy, because we are human, speaking of humanity ... (laughs) We had this possibility and privilege of traveling to the world. At the same time that we play in a country like Armenia or Cuba, which does not have much technology, and goes in the United States, Germany or Japan, you see the difference of technological influence. But I think "Machine Messiah" wants to show or discuss a certain balance, not get so machine and lose that human sensibility of talking, exchanging an idea, using the brain and developing the intellect. Not that we are against robots, but that it is a thing of balance and discipline.


RtM: After all this, the beginning of the tour of dissemination of the disc, which began in Europe alongside Kreator, who also released new album in the same month. And most of the shows were sold-out, meaning the fans really keep hugging the band. The tour also went to the United States, where you played alongside the Testament. Tell us a little about how these shows were.
AK: The tours were fantastic, we played a lot of new songs! In a set of one hour, we played five new songs, which is something that we have not did since "Chaos A.D" practically. And it's very good that the crew has answered, listened to the record and knows the songs. It was two very important tours for us, because we played for an old-school crowd, because a lot of old-school people, because of a lot of things they had, kind of forgot about Sepultura. So it was interesting to play for this crowd, both with Kreator in Europe and with the Testament in the United States. And it was all very positive! We came back very motivated and ready to go! We're going back to Europe in the European summer.

Interview: Gabriel Arruda
Editing/Revision: Carlos Garcia





   


   

quinta-feira, 29 de junho de 2017

The Doomsday Kingdom: Mais um Acerto do Pai do Doom Metal


O nome The Doomsday Kingdom logo na primeira vez que vi a capa do EP, o que precedeu este full-lenght, me trouxe a impressão de que era mais uma banda de Doom,/Stoner entre tantas agora nesta fase mais, digamos, "mainstream" do estilo, onde muitos selos voltaram mais os olhos para essa cena, porém, ao ver que se tratava de projeto do grande Leif Edling (Candlemass), não me furtei em conferir, pois é um mestre na arte de compor épicos e criar músicas marcantes, raramente errando. E ainda, além deste tem o novo do Avatarium (também lançado no Brasil pela Shinigami Records), outra excelente banda com a mão de Leif (inclusive, Marcus Jidell, guitarrista do Avatarium, foi a mão direita de Leif neste novo projeto). 

O The Doomsday Kingdom carrega certa semelhança com a banda principal de Leif, o Candlemass, embora não tenha uma sonoridade tão grandiosa e épica, mas temos aqueles riffs e levadas que remetem, naturalmente ao Sabbath. Podemos dizer que é um Doom (que não segue aquela linha mais arrastada ou mais soturna) e  Heavy Metal Tradicional, e cito Judas Priest com segurança, e até algo de Mercyful Fate, embora, claro, o The Doomsday utilize-se de tons mais graves.


Para mim está perfeito! Sabbath + Judas +  Mercyful Fate + Candlemass, e em um álbum de Doom/Heavy Metal empolgante, destaco "The Sceptre", bem tensa, com boas variações de climas, passando pro trechos mais tétricos, sensação essa reforçada pelos teclados.

"Spoonful of Darkness" tem essa mescla bem equilibrada, da pegada Stoner/Doom, em levadas mais arrastadas e graves, com riffs mais vibrante e linhas melódicas que cativam, ou seja, descomplicado, algo que com certeza você vai ter impressão de ter ouvido já, inclusive em outros trabalhos envolvendo Leif, mas muito cativante e que mantém o interesse do ouvinte; O respiro de calmaria em "See you Tomorrow", é etérea e límpida, uma faixa instrumental conduzida ao piano e guitarras acústicas.

O Heavy mais tradicional, e com aquela pegada mais Priest e do Sabbath era Dio, é bem representado por "Hand of Hell", em andamento mais enérgico, riffs e refrão marcantes e ótima performance de Niklas Stalvind (Wolf), que aliás, gostei do trabalho no álbum todo; e em "The Silence" a rifferama Doom é despejada sem dó, destacando o peso e maestria de "Habo" Johansson (Narnia) em uma aula de bateria. Real drummer, and real drums!!


Quando tem a mão de Leif, a possibilidade de ser Metal de qualidade é grande, e ele acerta em mais uma. É o pai do Doom! Um álbum com uma line-up matadora e de músicas matadoras. Altamente recomendado.

Texto: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: The Doomsday Kingdom
Álbum: The Doomsday Kingdom 2017
Estilo: Doom Metal/Heavy Metal Tradicional
País: Suécia
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records

Adquira o álbum na Shinigami

Doomsday Kingdom Site Oficial
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Line-Up:
Leif Edling: Baixo
Niklas Stalvind: Vocais
Andreas "Habo" Johansson: Bateria
Marcus Jidell: Guitarras

   

Tracklist:
1. Silent Kingdom
2. The Never Machine
3. A Spoonful Of Darkness
4. See You Tomorrow
5. The Sceptre
6. Hand Of Hell
7. The Silence
8. The God Particle


domingo, 25 de junho de 2017

Dark Avenger: "The Beloved Bones: Hell" - Memorável, Instigante e Cinematográfico



Foram cerca de 4 anos trabalhando no álbum "The Beloved Bones: Hell", primeira parte de uma obra que será dividida em duas partes (A próxima será o "Divine"), e finalmente o disco se materializa, e se Mário Linhares e Glauber Oliveira, os principais mentores deste trabalho, falarem que este é o seu melhor álbum, não será aquela mera frase clichê muito ouvida quando alguém lança algo novo. (English Version)

Lembro que Mário Linhares comentou há muitos meses atrás, que buscava uma evolução, e que certamente o novo trabalho surpreenderia a todos, e  "The Beloved Bones: Hell" traz grandes mudanças, primeiro, na parte sonora, mas nada "descaracterizante", você vai encontrar a personalidade da banda, como no timbre vocal de Linhares; segundo, na temática, que parte para um lado mais real e sombrio.

Começando sobre a parte sonora, o álbum teve a produção e mixagem feita pelo guitarrista Glauber Oliveira, que fez um excelente trabalho, encaixando as peças sonoras nesta complexa obra, onde temos um Metal pesado e sombrio, que traz emoções e nuances diversas, passando por trechos progressivos, sinfônicos e até beirando o Metal mais extremo. 

O uso de orquestrações, percussões, corais e instrumentos diversos, como violinos e até acordeon, enriqueceram soberbamente os arranjos. Finalizando, a banda foi buscar no suéco Tony Lindgren (responsável pela masterização de álbuns de grupos como Kreator, Angra, Katatonia, Mirath e Sepultura, só para citar alguns), que tem feito grandes trabalhos no seu Fascination Studios, e um disco onde a banda buscava excelência e vinha trabalhando há tanto tempo, não poderia de forma alguma economizar em uma parte tão importante, e valeu a pena, pois o álbum soa muito, muito bem.


Sobre o conceito, baseado em uma experiência própria, Mário Linhares escreveu essa peça, um solilóquio (monólogo, discurso em que uma pessoa fala consigo mesma), onde o indivíduo, nesta primeira parte ("Hell"), trilha por onze estágios mentais, situações que provavelmente todos passamos por alguma, momentos difíceis, de frustrações, como uma doença, uma violência, dependência química ou uma insatisfação profissional.

O álbum se chama "The Beloved Bones", porque procura responder a uma pergunta simples: "Qual é a pessoa que você mais ama?". A resposta mais óbvia seria "Eu mesmo", então é daí a inspiração para o título. A ideia central em "Hell", é como o EMOCIONAL e o RACIONAL se confrontam, se comportam e progridem, definindo o EU, o qual trilha pelos 11 estágios.

Essa jornada pelos 11 estágios se inicia com o lamento do violino na intro de "The Beloved Bones", faixa título que abre o álbum, onde o Racional, surge do âmago do EU e bate de frente com o Emocional. Uma sonoridade pesada, de melodias sombrias, onde é preciso destacar já os detalhes nos arranjos, como as orquestrações e trabalho de vozes, e percebe-se um Linhares mais interpretativo, e driblou o tempo e outras dificuldades (pois passou por problemas de saúde um tempo atrás), com experiência e reeducação de sua voz, fazendo um grande trabalho.

As músicas vão se completando, e o peso e tonalidades mais baixas e sombrias são a tônica, e vamos enveredando por essa viagem musical, e fiz questão de enfatizar no título desta resenha que este é um álbum "Instigante e Cinematográfico", porque vamos experimentando as emoções do confronto do indivíduo da história consigo mesmo, e o clima sombrio traduz essas emoções conflitantes, desesperadoras e libertadoras. 

Sombrio, carregado de emoções, belo e complexo, mas não significa que é um álbum que fique relegado a um nicho de ouvintes, pois possui melodias, refrãos e riffs memoráveis (grande trabalho de guitarras, algo imprescindível em um álbum de Metal), e, mesmo que o ideal seja ouvi-lo por completo, acompanhando as letras, é perfeitamente plausível simplesmente apreciar as músicas individualmente, e em um álbum com uma qualidade tão alta, é também possível destacar os "picos", ou destaques, como em um filme mesmo. É difícil comentar destaques, e traduzir tudo o que você ouvirá no álbum, pois são muitos detalhes a descobrir, ouso então, lhes dar alguns "spoilers":

Já falei da abertura, com aquele lamento do violino, e a explosão Pesada, sombria e sinfônica de "The Beloved Bones";  "Smile Back to Me", a parte que fala sobre a "Negação", é uma peça sinfônica sombria e com agressividade nas guitarras, bateria e vocal,"King for a Moment", que é a que fala da fase da "Fuga", e onde está uma das minhas performances preferidas de Linhares, com o vocalista passa por vocais operísticos e até guturais, e aquela frase, que também está na música anterior, "There's no turning back to where once you called heaven", que ficou grudada na minha mente por dias, assim como as melodias, destacando ainda os diversos climas dela, com trechos beirando o Metal extremo. 

Você irá notar os sinos, que vão estar presentes no decorrer das músicas, que seria uma espécie de guia pelo caminho. A dramaticidade na fase da "Vitimização" em  "This Loathsome Carcass", mais cadenciada com muito peso e algumas percussões tribais. As melodias tem um algo de oriental. E também é onde temos a pergunta a ser respondida ao final: "Am I the Master of my life? (Eu sou o mestre da minha vida?); "Parasite", pesadíssima e muito agressiva, só poderia representar a "Raiva", foi também a primeira música apresentada. Beira o Metal extremo em momentos.


"Breaking Up Again", a "Súplica", onde o Emocional admite que não pode lidar com os problemas sozinho, mas novamente há um confronto. Temos uma bela e melancólica introdução ao piano e voz, para em seguida nos encontrarmos envoltos em um turbilhão, com passagens agressivas entrecortadas por trechos sinfônicos e progressivos; "Empowerment", uma parte crucial da jornada, a "Reflexão", , em uma peça musical sinfônica e vibrante.

As quatro músicas finais, são um ápice, com  "Nihil Mind" (o equilíbrio) e seus diversos climas, grandes orquestrações e corais. Melodias marcantes nos vocais e guitarras e refrão memorável, além da surpresa do acordeão; em "Purple Letter" as guitarras com flanger abrem esta fase, que representa a "Coragem", a hora do personagem abandonar a velha vida. Trechos velozes e climas sinfônicos e cinematográficos vão se intercalando, destacando os belos vocais femininos em contraponto com os de Linhares.

 "Sola Mors Liberat", a hora da "Decisão", momento que marca o fim de um ciclo, é traduzido em uma peça melancólica, onde temos um clima fantástico nos teclados. Note também a frase final, onde as palavras "My Friend" são ditas em dueto, representando a conciliação do Racional e Emocional. Destaque para o inspirado e melódico solo de guitarra ao final.

A belíssima balada "When Shadow Falls", com seu andamento meio "valseado", representa a "Liberdade", a reconciliação do Emocional e Racional. Percussões, violoncelos e guitarras acústicas dão a tônica deste, não poderia deixar de ser, final bem emocional.


Existem álbuns ambiciosos que se perdem em meio a produções pomposas e complexidade exacerbada, esquecendo o principal, que é compor grandes músicas, e e aí está o diferencial de "The Beloved Bones: Hell", um trabalho composto em prol da música, com grandes doses de musicalidade e feeling. Parafraseando o que falei no início, se a banda falar que este é seu melhor álbum, não será uma mera frase clichê. O Dark Avenger buscou evoluir, ousou e acertou em um álbum com alma e memorável.De arrepiar os pelos do braço!

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica:
Banda: Dark Avenger
Álbum: "The Beloved Bones: Hell"
País: Brasil
Estilo: Heavy Metal, Progressive Metal
Produção e Mixagem: Glauber Oliveira
Conceito: Mário Linhares
Masterização: Tony Lindgren

Adquira na pré-venda (CD ou kit da foto abaixo): talktodark@gmail.com  (via depósito bancário ou pay-pal)
Em breve disponível na Die Hard e distribuição internacional a anunciar.



Line-Up:
Mário Linhares: Vocais
Glauber Oliveira: Guitarras
Hugo Santiago: Guitarras
Gustavo Magalhães: Baixo

Tracklist:
The Beloved Bones (Unconciousness)
Smile Back to Me (Denial)
King for a Moment (Fugue)
This Loathsome Carcass (Victimization)
Parasite (Wrath)
Breaking Up, Again (Craving)
Empowerment (Reflection)
Nihil Mind (Balance)
Purple Letter (Courage)
Sola Mors Liberat (Decision)
When Shadow Falls (Freedom)