sábado, 3 de março de 2012

Stress: Brasil Heavy Metal! Entrevista com os pioneiros do Metal Brasileiro!


"Vai, ó Guerreiro, és imortal ! Um pioneiro do Metal !"
O próprio hino criado pela banda, a música "Brasil Heavy Metal", composta em homenagem à todos que batalharam e batalham pelo Metal brasileiro (e que foi escolhida como faixa título do documentário Brasil Heavy Metal, que deve sair este ano), soa praticamente autobiográfica, pois no começo de tudo, inclusive até quando bandas lá de fora, que hoje são referência, ainda davam os primeiros passos, quando o Heavy Metal começa a tomar o mundo, chegando naquela explosão dos ano 80, alguns jovens de Belém do Pará, formaram a banda Pingo D'água, batizada assim por causa do bumbo da bateria, que era torto, no formato de um pingo.

Em 1977, a banda, já contando com o carismático Roosevelt Bala, passou a se chamar Stress. Em 1978, começaram as composições próprias, indo na contramão do Rock Brasileiro, que caminhava mais para o Rock And Roll e Progressivo, forjavam já seu estilo, com músicas rápidas e pesadas. Em paralelo, surgia no exterior o movimento depois batizado de New Wave of British Heavy Metal.

Contra-Capa do primeiro LP
Lançaram o primeiro registro em 82 (a história sobre a gravação desse LP é ótima! Não canso de ouvir! Confira nesta entrevista!), sendo que o show de lançamento, em Belém, teve público estimado de 20.000 pessoas!!! Quebraram barreiras, shows lotados, segundo trabalho lançado pela Major Polygram, destaque em programas de TV, rádio e revistas de grande circulação! Receberam proposta para aliviar o som, para se encaixar no que as gravadoras queriam na época, pois eram muito pesados pra se encaixar na tal cena do novo Rock Brasil, mas não fizeram concessões! Após decepções e dificuldades na cena, muitas mudanças de formação e outras dificuldades, em 87, a banda resolve dar um tempo.

Eles ainda não sabiam, mas fariam história.
Após algumas "ameaças" de volta, como o lançamento de Stress III, em 94 (os famigerados anos 90!!!) e o relançamento de Stress I, pelo selo Dies Irae, o retorno definitivo aconteceu em 2005, com lançamento de DVD e tudo! A banda segue fazendo shows regulares, seus álbuns estão sendo relançados pelo selo Europeu Metal Soldiers, além de um merecido tributo que está sendo produzido pelo mesmo selo, receberam convite para tocar em abril no festival Metal Open Air, o maior festival de Metal da história da América
 Latina, e seria um absurdo se os pioneiros não estivessem presentes, estão com as composições de um novo álbum prontas e ainda tem muito a contribuir para a cena, servindo de exemplo de dedicação e amor ao Metal! 

"Há muito tempo eu vi, nos anos 70 surgir..."
Chega de papo, mas foi necessário contar um pouquinho da história para os novos Bangers que ainda não tenham familiaridade com a banda. Deixamos a palavra com o Sr. Roosevelt de Miranda Cavalcante, ou, como ficou conhecido no mundo Metálico, Roosevelt "Bala", que vai nos contar um pouco (a história da banda daria alguns livros) das histórias da banda, dos primórdios do Metal brasileiro, a explosão da NWOBHM, como foi forjado o estilo do Stress, as censuras sofridas nas letras, os planos futuros e muito mais! Temos certeza que os leitores vão curtir muito esta entrevista, assim como nós do Road!

Road To Metal: No início deste mês foi confirmada a participação do Stress no Metal Open Air (impossível que fosse deixada de fora a primeira banda de Metal do Brasil!!), que será realizado em abril próximo. Quais suas expectativas para esse festival e como você se sentiu quando saiu a confirmação oficial?

Bala: Depois de tantos anos de estrada, de vida, nós ainda sentimos a emoção e a alegria de sermos lembrados para um evento de tamanho porte. Certamente, será o maior evento de metal da história do Brasil, até então. Por se tratar da primeira edição, eu acho que a presença do  Stress, como pioneiro no estilo, será muito bem vinda, caiu como uma luva...de Metal!! (risos).

"...o som do Metal, o Metal do Brasil"
 RtM: Vocês vão preparar algo especial para a apresentação do Festival?

Bala: Nada mais especial, do que fazer os roqueiros (bangers) se divertirem, cantando todos os nossos clássicos. Vai ficar ainda mais especial, porque estarão cantando alguns dos hinos do Metal brazuca em português, nossa língua pátria.
Todos nos sentiremos muito orgulhosos. Será um revival dos áureos anos 80!

RtM: E festivais europeus, como o Keep It True e Headbangers Open Air, por exemplo, onde são celebradas, e há participação, principalmente de bandas pioneiras, clássicas e cultuadas de Metal Tradicional, dos anos 80, NWOBHM, vocês já chegaram a receber contatos recentes para participar de eventos dessa linha lá no exterior?

Bala: Estivemos fora do circuito por muitos anos. O fato de residirmos no Norte do Brasil dificulta bastante a frequência de shows, pelos altos custos de deslocamento aéreo para outras regiões e outros países, entretanto, com a visibilidade que o MOA trará e recentes lançamentos europeus da nossa obra (Metal Soldiers Records), podem mudar esse quadro. Espero que os produtores nacionais e internacionais se empenhem mais pra levar o Stress aos grandes festivais. Estamos prontos pra encarar  uma mini-tour Internacional!!

"Jovens de toda a nação, rendem-se a essa paixão..."
 RtM: Provável que muitos fãs de Metal ainda desconheçam o Stress, mas hoje em dia com veículos como a internet, fica tudo mais fácil, e, inclusive, a votação de fãs também  motivaram o convite dos organizadores do MOA para a participação da banda, com isso, muito mais pessoas vão conhecer a importância do Stress. Qual seu sentimento quanto a longevidade do nome Stress, e para você qual a principal contribuição da Banda para a cena ?

Bala: Nos últimos anos estamos fazendo apenas grandes eventos, aqueles que valem a pena. Não temos mais aquela facilidade de pegar estrada, em longas tours como antigamente. Nossa vida pessoal (familiar) nos impede de cair dentro com tudo. Entretanto, hoje em dia , nem é tão fundamental estar na estrada. Os meios de divulgação virtual cobrem essas lacunas. Acredito que quase 100% dessa nova geração de roqueiros nunca viu o Stress ao vivo, mas muitos deles aprenderam a gostar da banda, pelo que viram na internet e pela fascinante história de pioneirismo. Tenho certeza que uma multidão vai cantar nossas músicas no MOA, sem jamais terem visto um show nosso antes. Estou contando muito com isso, vou chamar a galera para o palco junto com a gente, todos vão se sentir parte do show também.

Rtm: Falando um pouco sobre a história, na época em que a banda começou, além das dificuldades de conseguir bons instrumentos, de se fazer um som pesado, também havia a censura, e muitas letras do Stress tinham que ser alteradas. Fale um pouco sobre essa época!

Bala: Nos meados dos anos 70, em Belém, não havia qualquer sinal de movimento musical algum, muito menos Rock. Os discos de Rock chegavam com atraso de anos às poucas lojas da cidade. Só pra se ter uma idéia do cenário da época, eram extremamente raras as pessoas que gostavam de Rock. Por isso, havia uma grande afinidade entre os poucos roqueiros que resistiam aos modismos impostos pela mídia. Quando um roqueiro ouvia falar que havia um outro cara que curtia rock, mesmo que fosse num bairro distante, com alguns de seus melhores Lps debaixo do braço, ele dava um jeito de achar a casa do elemento, chegando lá ele perguntava: “ És tu que és roqueiro?”; logo estavam juntos à eletrola ouvindo seus discos e sacramentando uma nova e verdadeira amizade.

"...que toca a alma, toca o coração!"
Esse fenômeno quase epidêmico acontecia com certa freqüência  em diversos bairros da cidade, só faltava um evento pra reunir esses focos de roqueiros que não sabiam da existência de outros seres semelhantes em outros pontos da ainda provinciana Belém do Pará. Enquanto isso, o Pingo D’água (banda embrião do Stress) já fazia suas primeiras apresentações em festinhas de 15 anos e festivais escolares. Com o passar do tempo o repertório foi ficando mais pesado, não só pela evolução dos músicos , mas, principalmente, pela própria evolução do rock. Beatles, Stones e Cia, deram lugar a Led Zeppelin, Black Sabbath, U.F.O., Sweet  e outros igualmente pesados. O primeiro show oficial da banda, já com o nome Stress, aberto ao público, aconteceu no dia 10 de outubro de 1977, dia da primeira reunião dos roqueiros de Belém. 

Era nos shows do Stress que, a cada vez uma maior legião de admiradores do rock se encontrava para curtir e viajar na ideia de que estavam assistindo aos seus verdadeiros ídolos, através das interpretações feitas pela Banda, dos maiores clássicos do Rock mundial. Foi a partir daí que a banda começou a ganhar popularidade e a cumplicidade dos fãs, que ajudavam na venda de ingressos, afixação de cartazes, distribuição de panfletos e o que mais fosse necessário. Éramos uma verdadeira irmandade, unidos pelo objetivo da disseminação do movimento Rock de Belém. A partir de 78,começamos as nossas composições.

"De norte a sul, os bravos heróis: Bandas, fanzines e fãs..."
Queríamos ser “a banda mais rápida e mais pesada do planeta”. Dentro desse pensamento,compusemos músicas pesadíssimas pra época. As letras eram bem interessantes, expressavam os pensamentos de muitos jovens da nossa geração. Até hoje o seu conteúdo é de alto nível. Quase todas foram censuradas. Foi preciso refazermos e burlar os censores ,com alguns artifícios (“Lixo Humano” ficou “Lixo, Mano”...por exemplo). Finalmente, em agosto de 82, nós conseguimos gravar nosso primeiro LP. O custo era altíssimo, algo em torno de uns 50 mil reais de hoje. Apesar da baixa qualidade (não havia técnicos que soubessem gravar Metal no Brasil), resolvemos lançar as 1000 cópias. Não sabíamos que aquela obra seria o debut do Metal brasileiro.

Rtm: Tem uma história muito legal, sobre a gravação do primeiro LP, que a banda foi gravar num estúdio no Rio de Janeiro, a coisa não era bem o que vocês esperavam e até tiveram que fazer uma “Operação Resgate” as fitas das gravações! Gostaria que você contasse aos leitores essa história, nunca é demais e com certeza tem muita gente que não conhece ainda!

Bala: Era infinitamente mais difícil se gravar um disco naquela época, como já falei, os custos eram altíssimos, equivalente ao de um apartamento de um quarto. Não havia mais o que fazer, já tínhamos tocado nos melhores e mais conceituados teatros e ginásios da cidade, era preciso seguir adiante. Através de um amigo ( o Profeta), contactamos o estúdio Sonoviso, no Rio, que nos garantiu que saberia gravar o nosso rock, já tinham feito isso várias vezes e dispunham de todo equipamento necessário para a gravação.

"...juntos numa só voz!"
Juntamos dinheiro com shows, vendemos objetos, pedimos pros pais e pegamos um ônibus pra enfrentar três dias de estrada até o Rio. Ficamos numa modesta pensão no Catete, dividindo beliches num único quarto. Ao chegar no estúdio nos foi oferecida uma bateria toda fudida, quebrada e desmontada, jogada num canto de uma saleta. Usamos barbantes e fita adesiva pra deixá-la armada. Recebemos a informação de que todo o equipamento prometido (bateria, efeitos, pedais, instrumentos..) deveria ser alugado. Finalmente começamos a gravar, tínhamos de ser rápidos, a grana tava curta e a hora de estúdio era uma facada. Começamos a perceber que os caras não manjavam porra nenhuma de gravação de rock pesado. Chegaram ao cúmulo de propor que tocássemos sem distorção, que eles dariam um jeito de colocá-la na mixagem. Tratamos de fazer nossa parte, tocamos como se estivéssemos num show, com toda fúria e crueldade que as músicas pediam, afinal, naquele momento estávamos registrando anos de trabalho e defendendo nossas idéias e pontos de vista não só sobre a música em si, mas, sobre o cenário social injusto para a maioria das pessoas.

"Vai, ó guerreiro, és imortal, um pioneiro do Metal!"
Gravamos tudo em 16 horas, foi meio “nas coxas” mesmo, não tínhamos mais grana pra pagar outras horas de estúdio e ainda teria a mixagem. Quando tudo terminou tivemos a certeza de que os caras não estavam preparados pra gravar rock pesado. Ficamos extremamente decepcionados com o resultado, esperávamos algo compatível com o que estávamos acostumados a ouvir. Não havia mais nada a fazer, não tínhamos mais recurso pra refazer qualquer coisa, nem pra pagar as horas extras de mixagem (essas duas horas ficamos devendo). Esperamos o técnico de som ir no banheiro e fugimos com a fita mixada. Entramos numa estação de metrô (Central do Brasil) e sumimos no trecho!!! (risos). Um pequeno calote em nome do Metal do Brasil!!!

Relutamos muito em prosseguir com a produção desse disco, tamanho nosso desapontamento. Resolvemos então, fazer uma tiragem mínima de 1000 cópias, só pra termos um registro oficial das músicas e não jogar fora a grana já investida. Juntamos mais dinheiro e fizemos a prensagem. O show de lançamento aconteceu no estádio do Payssandu, no dia 14 de novembro de 1982,  para uma platéia estimada em 20.000 pessoas, um recorde absoluto que persiste até hoje para eventos musicais locais.
Fizemos o lançamento desse disco no Rio, no Circo Voador, completamente lotado pra ver pela primeira vez uma banda de Heavy Metal brasileira. Foi um sucesso estrondoso, e a partir daí tivemos de nos mudar para o Rio e dar prosseguimento à nossa carreira fora de Belém. Tudo isso aconteceu por conta daquele primeiro disco, que quase não foi lançado em virtude de sua baixa qualidade de gravação, mas que foi o grande responsável pelo repentino sucesso da banda para o resto do país. Devemos tudo a essa obra, que contém grandes clássicos do Metal Nacional em todos os tempos.

"Mostra essa força, que nos uniu, vida longa, ao Metal do Brasil!"
Rtm: Na época das primeiras composições próprias, no final dos anos 70 e início dos anos 80, quando a cena Metal mundial, principalmente a NWOBHM, estava começando a explodir, quais eram as influências da banda e o que vocês ouviam na época e como era o acesso ao material que vinha de fora? já que na época era bem complicado, não é como hoje, com a internet, e a informação anda numa velocidade impressionante. E, como foi sendo forjado o som do Stress, que chegou naquele Metal rápido e pesado apresentado já nas primeiras composições que entrariam no debut?

Bala: Nos anos 70 nós não tínhamos nenhuma referência de som pesado no Brasil. Embora, curtíssemos bandas de rock como: Made in Brazil, Pêso, Casa das Máquinas, Joelho de Porco, Mutantes... Essas estavam longe de ser do rock pesado. Consideramos que o Stress começou sua história paralelamente com a NWOBHM. Eles faziam a onda deles lá e nós começamos a nossa aqui, na mesma época. A frase de ordem era: “seremos a banda mais rápida e pesada no planeta”, coisa pretenciosa de adolescente... rsrsrsrs. Com essa filosofia, começamos as nossas composições, sempre com aquela levada rápida (Mate o Réu/Sodoma e Gomorra/ Chacina/O Viciado...). Depois foi que resolvemos fazer músicas com outras batidas (O Oráculo de Judas / O Lixo / 2031...).

Sobre as letras, elas começaram a ser feitas em Inglês (Mate o Réu era  “Go to Hell”), mas, mudamos logo de ideia quando algumas pessoas elogiaram o nosso som e perguntavam do que falavam as letras. Sabíamos que tínhamos um som poderoso e que se a mensagem contida na letra fosse logo entendida, teríamos músicas fuderosas, uma combinação matadora. Dali em diante, o Stress seria uma banda de Metal 100% nacional.

"Heavy Metal...Heavy Metal Brasil...Heavy Metal...Brasil Heavy Metal!"
 Naquela época, o acesso às revistas,  vídeos e Lps era muito difícil. Não vou dizer que não conhecíamos nada dos britânicos começamos a ouvir Judas, Saxon, Maiden... Lá por 77. Eram nossos ídolos e nossa referência... Mas, referência para sermos  mais pesados e rápidos do que eles (risos). O termo Heavy Metal ainda não era difundido, nos denominávamos uma banda de “Rock Pauleira” ou “Rock Porrada”. Só fomos nos considerar Heavy Metal depois da primeira apresentação, no Circo Voador, em abril de 83, quando alguém gritou da platéia: "É a primeira banda de Heavy Metal do Brasil!”.


RtM: A banda acabou mudando para o Rio de Janeiro, onde ganhou ainda mais fãs, tendo shows históricos e memoráveis. O Rock In Rio em 85, também ajudou a voltar os olhares para as bandas de Metal e do Rock pesado em geral, e o segundo Disco, “Flor Atômica” saiu pela multinacional Polygram, com a banda aparecendo em matérias de grandes jornais e em programas de tv. Conte pra gente como foi para a banda também quebrar essas barreiras,  e porque a gravadora depois acabou não bancando um próximo trabalho?

Bala: O Flor Atômica foi um grande álbum, cultuado até hoje (relançado em 2011 pela Metal Soldiers, com o nome Atomic Flower). Nos tornou conhecidos em todo o país. Porém, no ano seguinte, 86, o mercado do rock no Brasil deu uma guinada. As gravadoras estavam apostando nas bandas comerciais. Era vetado o uso de guitarras distorcidas nos lançamentos nacionais, as rádios não tocavam. Assim, a nossa gravadora pediu para “aliviarmos” o nosso som, que fizéssemos músicas mais leves, fáceis de tocar em rádio. Ou seja, baixar o nível geral. Claro que não concordamos e mudar nosso estilo. Com isso, perdemos o contrato.

"Com instrumentos nas mãos e a força de uma canção..."
 RtM: Em 1987, a banda acabou parando com as atividades, gostaria que você falasse sobre os motivos que os levaram a abandonar as atividades e, hoje, você acha que tomou a decisão certa?

Bala: Uma coisa levou a outra. Sem gravadora, não tínhamos um novo álbum. Os shows ficaram cada vez mais escassos, tornando difícil nossa permanência no Rio. Não haviam muitas escolhas, tive de voltar para Belém, pois, ia ser jubilado da faculdade também. Resolvemos dar um tempo, esperar que o cenário do rock mudasse novamente, para melhor. Só que isso nunca aconteceu.

RtM: Na metade dos anos 90, a banda retornou, lançando em 96 o “Stress III”, de forma independente, porém, o trabalho passou, injustamente, um pouco despercebido. Os anos 90 foram, para muitos, tempos complicados para o Metal. Você acha que talvez a banda tenha voltado na hora errada? Se o trabalho fosse lançado alguns anos depois teriam uma repercussão maior?

Bala: Foi isso mesmo. Naquela oportunidade, meados dos 90, o rock brasileiro praticamente inexistia para a mídia, só o underground ainda sobrevivia, como sempre. Até gravamos músicas não tão agressivas, na linha do rock’n roll e hard rock (no meio das pesadas), para facilitar a veiculação de uma ou duas delas. Mas não adiantou. O rock tava fora de questão naquele momento, mais do que agora! hehehehe!

"...Fizemos a história, nossa revolução!"
 RtM: Em 2003 o debut foi relançado pelo selo Dies Irae, com distribuição internacional, tendo recebido rasgados elogios na revista Rock Hard, da Alemanha (inclusive o crítico cometeu "gafe" de escrever que a banda era da Amazônia, quer dizer, lá fora quando falam amazônia, imaginam a floresta!). Foram bons os frutos desse relançamento? Aproveitando, vocês pensam em relançar os trabalhos da Banda? Provavelmente muitas pessoas desejam tê-los, e hoje são itens bem difíceis de encontrar.

Bala: Foi por conta desse relançamento que a banda voltou aos palcos. Tive uma grande emoção ao segurar nas mãos um CD daquele primeiro Vinil. Resolvemos que seria divertido voltar a tocar nossas músicas, especialmente pra nova geração, que só ouvia os comentários sobre a “Lenda do Metal”. Começamos em Belém, claro. Os shows foram empolgantes, sempre casa cheia. Os pioneiros do Metal estavam de volta. Nossas obras estão sendo relançadas pelo selo europeu Metal Soldiers, já saíram o “Live in Memory”, “Amazon First Metal Attack” e o “Atomic Flower”. Estão programados para este ano o” Stress III” e o “Tribute”.

"Vai, ó guerreiro, é imortal, um pioneiro do Metal!"
 RtM: Em 2005 a banda fez um Show de retorno, em Belém, o qual foi gravado para lançamento do DVD, que saiu em 2007, contendo documentário com a história do Stress. Fale um pouco sobre esse lançamento e como surgiu essa decisão de marcar a volta com a gravação de um DVD? E a música “Coração de Metal”? Ela foi criada nesse período entre o Stress III e o show do DVD? É mais um hino do Metal Brasileiro.

Bala: Ao longo da carreira da banda, nós perdemos algumas imagens de shows importantes. Achamos que era hora de registrar um show completo da banda, em som e imagens de boa qualidade. Assim, numa parceria com a TV Cultura do Pará e CCAA, nós gravamos o nosso primeiro DVD, contendo todos os nossos clássicos. No set list incluímos “Coração de Metal”, música que fiz em parceria com meu amigo Di Castro, guitarrista do Sangue da Cidade (Rio), em 86. Sabíamos que era uma música forte, sempre funcionava bem nos shows. Mas, somente em 2005 fizemos uma gravação oficial dela, uma DEMO. Além de incluí-la no DVD. Realmente, tornou-se um hino do Metal brasileiro, não pode faltar nos shows.

"Mostra essa força, que nos uniu..." 
 RtM: O retorno da banda foi muito festejado e aclamado, por fãs, pela imprensa especializada. A banda, no estado do Pará recebeu homenagem, sendo incluída no calendário oficial. Tem a participação no documentário “Heavy Metal Brasil”, ano passado abriu show do Iron Maiden e agora está escalada para esse evento que vai ser histórico, o Metal Open Air! São muitas coisas que aconteceram nos últimos anos. Você acredita que hoje a banda tem o reconhecimento merecido? Como você vê o momento atual do Stress?

Bala: Se tivéssemos condições de ter permanecido no circuito de shows, pelo Brasil e exterior, nos idos dos 80’s, provavelmente seríamos mais reconhecidos do que somos hoje. No entanto, alguns infortúnios na nossa trajetória nos tiraram da estrada. As coisas acontecem para quem trabalha, luta, insiste na busca dos seus objetivos. Infelizmente nós não conseguimos nos manter nessa batalha. Porém, hoje em dia vemos que o reconhecimento está chegando. Ainda bem que estamos vivos, podendo tocar (risos). Garanto a todos que estamos aproveitando bastante. Nos divertimos muito nesses eventos. Ainda gostamos muito de tocar Metal. É a nossa grande paixão.

"...Vida longa ao Metal do Brasil!"
RtM: Qual conselho você daria hoje para as bandas iniciantes, que muitas vezes reclamam das dificuldades, mas se formos comparar com a época que vocês começaram, e ainda longe do centro do país, hoje em dia tudo é barbada!!!

Bala: Não há melhor exemplo do que o nosso: banda de Belém do Pará (Amazônia), que resolve fazer rock pesado, numa época em que a música regional (Carimbó) e o Samba (MPB) dominavam o mercado e as rádios do Brasil. Como resistir às adversidades? Equipamento caro, falta de lugar pra tocar, preconceito, referências, repressão e tudo mais. Com tudo isso, a banda ainda consegue reconhecimento nacional e internacional, toca com Iron Maiden, faz show no Canecão, e agora? vai dividir o palco com os maiores do Metal mundial no MOA.
É como diz uma música nossa: “Não desistaaaaaaaaaa!!!!” (risos).

"Heavy Metal...Heavy Metal Brasil"
 RtM: E quanto ao futuro? Planos para um novo disco?

Bala: Temos todas a músicas prontas para um novo álbum. Precisamos de um tempo pra nos reunir, pra gravar. Pois o André (batera) mora no Rio. Esperamos lançar ainda neste ano, quando se completam os 30 anos de lançamento do primeiro álbum, de 82. Pretendemos, ainda, fazer uma grande festa de comemoração e lançamento, em novembro deste ano, no dia 13, Dia do Metal Nacional.

RtM: Mencionamos o documentário, fale um pouco sobre a participação do Stress no documentário que está sendo produzido pelo Micka Michaelis, “Brasil Heavy Metal”, o qual vocês também compuseram a música tema, e, claro, fale um pouco sobre essa maravilhosa música, que possui uma letra fantástica, traduzindo muito bem o sentimento daquela época, dos guerreiros que levantavam e levantam a bandeira do Metal. Realmente mais um hino composto por vocês.

Bala: Trata-se de um grande projeto, algo que vai colocar o Metal brasileiro no lugar de destaque que ele merece dentro da nossa música. A  idéia é de contar a saga e a história dos precursores do gênero no Brasil, incluindo Bandas, Zines, Revistas, Jornalistas, Roqueiros e etc...
Além do filme, teremos o livro e uma coletânea em cd, contendo músicas inéditas das principais bandas brasileiras de Metal dos anos 80.
Foi pra essa coletânea que gravamos a música “Brasil Heavy Metal”. Quando o Micka ouviu, se emocionou bastante, foi às lágrimas (segundo ele, he he he). Nesse momento ele resolveu que ela seria o tema do filme/doc. Foi motivo de grande satisfação e orgulho pra nós. Fizemos a música e a letra pensando em cada um dos que participaram da construção desse movimento poderoso que hoje é o Metal Brasileiro. Todos que a ouvem (a música Brasil Heavy Metal) se identificam como tema e a sonoridade oitentista da mesma. Então, Micka teve a idéia de gravar um clipe, com a participação de alguns dos maiores vocalistas da nossa história. Foi uma grande sacada, o resultado é emocionante. É mais um hino para o nosso metal.

"Heavy Metal...Brasil Heavy Metal!"
  RtM: Obrigado mais uma vez pela atenção, sabemos que o espaço qualquer espaço é pequeno para o tamanho da importância da banda e sua história,  esperamos estar lá no MOA para ver o Stress ao vivo, esperamos novos trabalhos e fica o espaço para sua mensagem aos fãs!!

Bala: Eu é que agradeço a oportunidade de contar um pouco dos detalhes da nossa história. Estamos ansiosos para esse grande encontro, o maior do Metal no Brasil.
Atenção headbangers do MOA... Os pioneiros do Metal estão chegando!! (risos).
Um pesado abraço... Direto da Amazônia ...\m/.



Por: Caco Garcia
Edição: Caco Garcia
Revisão: Caco Garcia & Word (que insistia colocar "Metal" com "m" minúsculo, mas é um cara legal)
Fotos: divulgação e arquivo pessoal da banda


Contato para adquirir o material da banda (CDs, Camisetas, DVDs) : roosevelt_bala@yahoo.com.br




Quer ganhar o primeiro trabalho do Stress, relançado em CD, autografado????

Escreva nos comentários desta postagem, ou, ainda, no facebook do Road, neste link AQUI, a frase, complementando a mesma:  "Eu tenho um Coração de Metal porque...", coloque seu nome e e-mail, a resposta mais criativa (será julgada pela redação do Road To Metal mais a participação da banda) vai ganhar esse trabalho (e mais brinde surpresa), que é o marco inicial do Metal Brasileiro! Resultado sai dia 15 de Abril. Vamos lá!!!!



O Stress é:
Roosevelt "Bala": Baixo e Vocal
André Chamon: Bateria
Paulo Gui: Guitarras








12 comentários:

Carlos Caco Garcia disse...

eu tenho um coração de Metal, porque ele só bate após eu ouvir Heavy Metal!
hheheheh...redatores do Road não vale!

Guzz69 disse...

Eu tenho um Coração de Metal porque ele evolui dentro de mim. Mesmo dilacerado, o resiliente coração não pára de lançar farpas de adrenalina no cotidiano humano desta louca fantasia.

Flavius Aurélio disse...

Eu tenho coração de Metal, pois é o único "elemento" que NUNCA acabará!

Nome: Flavius Aurélio
email: flaviussilva@hotmail.com

A Chave do Sol disse...

Saudações!

Tenho um coração de metal porque... "meu coração bate qual martelo numa bigorna e aço corre em minhas veias ao som emocionante do Heavy Metal"!!!

e-mail: wilsonrldias@yahoo.com.br
Nome: Wilson Lima.

****

No mais, esplêndida e perfeita entrevista. As fotos também estão ótimas e o clipe no final é matador.

Abraços e parabéns pelo ótimo trabalho!
*

Andrei disse...

"Eu tenho um Coração de Metal porque faço parte disso aqui, sou dessa cidade e aqui em Belém o STRESS forja nossos corações, durante a trilha sonora de nossas vidas, com o mais puro, rápido e pesado Heavy Metal Brasileiro!!!" Andrei Vicente da Costa - andreicmt@gmail.com

seph disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Renato Pina disse...

Eu tenho um Coração de Metal porque o Metal me motiva todo dia a viver, do momento em que acordo ao momento em que vou dormir! Escuto esse estilo há 15 anos e ele move o meu coração, através do sangue metaleiro que percorre as minhas veias e me faz continuar!

Renato Pina
renpina@gmail.com

Alesson Lopes Rangel disse...

Eu tenho um coração de Metal porque nem com a chacina eu me torno um lixo humano. E o Metal continuará mais forte que uma Flor Atômica na minha vida!

Nome: Alesson Lopes Rangel
Email: a.lesson.lopes@hotmail.com

Bangers de Belem disse...

Esse Bala é um tremendo bregueiro, e nunca vai em show de metal e nem apoia nada em Belem, e se tem uma banda que ele só sua a camisa é o ZONA RURAL no qual ele ganha dinheiro na noite tocando pop e brega, já gravou até música sertaneja. é um tremendo POSER isso sim. Só vai em show quando é banda de grande porte que é pra ele babar o o ovo e pedir pro vocalista mencionar o nome dele no palco. Canalha

Leonardo Metalman disse...

bangers de Belém? é um grupo ou uma pessoa? de qualquer modo, coragem não tem, de ficar falando atrás do muro.mt fácil xingar escondido na net. e olha, nem sou grande fã do Stress, mas olha a importância dos caras, e se o Bala tem uma banda paralela, isso não tem problema, afinal, é mais fácil mesmo conseguir lugar pra tocar com banda cover, pois uma coisa pouco mudou, o espaço e promotores dispostos a investir nas bandas nacionais.sereno666@ibest.com.br

Marcos Belem disse...

Eu moro aqui em Belem e concordo, o cara não apoia, só tá empolgado por causa do MOA, ele nunca frequentou show nenhum. falar de fora é uma coisa. AQUI em Belem o rabo é outro. O cara é totalmente desligado do sistema e não apoia em nada. Eu gosto do som do stress, tenho cds e tudo, mas que pena que o cara tá de fora ha muito tempo, não merece.
meu nome é Marcos, email: veramidia10@yahoo.com.br

Kanyba disse...

Eu tenho um caração metal porque faço dele meu estilo de vida. Sinto a cada batimento que pelo metal promoveria uma chacina, mataria o mais inocente réu, comeria o lixo até 2031, em todas refeições do dia (em um prato de metal), salvaria todos os viciados e iria do RS até Belém para representar a tortura rotineira e assistir a um show do Stress.

Uilliam Rieffel
email: uilliamrieffel@hotmail.com